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Shiro: uma escala de nuances
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exposição em cartaz
02/06/2026 - 25/10/2026

Shiro: uma escala de nuances

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exposição em cartaz
02/06/2026 - 25/10/2026

A exposição, que conta com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, aborda a cor branca apresentando suas nuances e simbologias por meio de quatro elementos: a neve, o papel, a seda e o sal.

A simbologia da cor branca na cultura japonesa

No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (ou cores tradicionais do Japão, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão

E é o branco – ou shiro, em japonês – que assume o papel de fio condutor da exposição.

Tonalidades de branco

Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa

A inspiração para o recorte veio da leitura da obra ‘O País das Neves’ (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve.

“Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”

Uma escala de nuances

Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.

O papel

No núcleo de Papel, a instalação ‘Poem of life’, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo

A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também pode conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washi – Kōzo, Mitsumata e Gampi – também estão em exibição.

A seda

Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação ‘untitled-grandmother’. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também são apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.

A neve

Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas vistos de cima. Efêmeras, as Snow Art de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. 

“Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.

A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).

O sal

Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. 


Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos – é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.

JHSP Acessível

A exposição integra o programa JHSP Acessível e oferece WebApp com textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, além de recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade para todas as pessoas que visitam.

Sobre os artistas:

Ayumi Shibata (Yokohama, 1982)

Artista de kiri-ê estudou xilogravura e técnica mista na National Academy School of Fine Arts, em Nova Iorque, explorando materiais e métodos de expressão. Transferiu a sua base de atuação para Paris, onde desenvolveu iniciativas internacionalmente por dois anos, incluindo a criação e exposição de suas obras no Atelier 59 Rivoli, mantido pela prefeitura de Paris. Retornou ao Japão em 2018, que tem sido sua base de atividades desde então.

Kaoru Hirano (Nagasaki, 1975)

A artista cria instalações a partir do desfazer e reconstruir, fio por fio, de roupas antigas, guarda-chuvas e outros materiais. Seu trabalho explora a memória individual, bem como relações sociais e históricas. Obteve doutorado pela Universidade Municipal de Hiroshima (2003) e realizou residências artísticas em Nova Iorque e Berlim com o apoio do Programa Artístico Japão-EUA e da Agência de Assuntos Culturais do Japão, além da bolsa de apoio da Pola Art Foundation (2010). Em 2025, recebeu uma bolsa de apoio da Fundação Adolph e Esther Gottlieb, atuando nacional e internacionalmente

Tomohiro Kajiyama (Shizuoka, 1985)

Mudou-se para Hokkaido em 2018, para Nakasatsunai Village, uma região com cerca de 3.800 habitantes no norte do Japão. Com o objetivo de redescobrir os recursos locais, em 2019 passou a produzir snow art de forma autodidata e estabeleceu seu estilo autoral ‘free-leg’, baseado em caminhar livremente sobre a neve, seguindo o instinto. Criadas passo a passo em meio ao frio extremo e rigoroso, suas obras simbolizam a postura de abrir o próprio caminho na vida, além de despertar surpresa e emoção em muitas pessoas. 

Mais informações:

Exposição // Shiro: uma escala de nuances 

#NuancesDeBranco #ShiroNaJHSP

Período: 2 de junho a 25 de outubro de 2026

Valor: entrada gratuita

Japan House São Paulo | térreo

Endereço: Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo

Horário de funcionamento: 

Terça a sexta-feira, das 10h às 18h

Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h

A Japan House São Paulo permanece fechada às segundas-feiras, sem exceção, inclusive em feriados.

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