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O Papel // Shiro: uma escala de nuances
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23.07.2026
Atualizado em 28.07.2026

O Papel // Shiro: uma escala de nuances

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23.07.2026

No Japão, existem as chamadas cores tradicionais, ou dentōshoku, nascidas da referência à vasta natureza e associadas ao apurado senso estético japonês. Dentre elas, shiro a cor branca — abrange uma gama de tons. 

Essas nuances refletem diversas paisagens presentes no imaginário dos japoneses e ressaltam características como brilho, concisão, pureza e suavidade.

No contexto da exposição ‘Shiro: uma escala de nuances, a JHSP apresenta esses matizes, suas acepções, e como esses tons permeiam a vida cotidiana do arquipélago nipônico a partir de quatro elementos: a neve, o sal, o papel e a seda.

O Papel Washi

O washi é um papel tradicional do Japão. Feito a partir de fibras longas, é fino e, ao mesmo tempo, resistente, reunindo flexibilidade e durabilidade. Cada folha é produzida artesanalmente por artesãos. Graças à sua resistência e à sua alta capacidade de conservação, o washi é utilizado não apenas no cotidiano, mas também na restauração de bens culturais.

©Cortesia Fukui Prefectural Tourism Federation

©Mino Handmade Paper Co-operative

– Matéria-prima

As matérias-primas principais para a produção de washi são os arbustos como kōzo (amoreira-de-papel), mitsumata (Edgeworthia chrysantha) e gampi (arbusto japonês do gênero Wikstroemia). Plantas como tororo aoi e nori utsugi também são acrescentadas no processo de produção do washi. Suas raízes produzem uma seiva espessa e mucilaginosa chamada neri, que faz as fibras se dispersarem de forma uniforme na água e permanecerem estáveis por mais tempo. Trata-se de um ingrediente secundário indispensável, que ajuda no entrelaçamento das fibras durante a fabricação do papel.

©Fukui Washi Industrial Cooperatives 

– Processo de fabricação 

Esta descrição baseia-se no processo artesanal de fabricação do Kurotani Washi, relacionado ao Patrimônio Cultural Imaterial designado pela província de Quioto.

Em Kurotani, o kōzo é chamado de kago.

 

Kago kiri, ou colheita de kago:

As plantas utilizadas como matéria-prima crescem ao longo de um ano e são colhidas principalmente no inverno.

©Kurotani Washi Cooperative Association

Kago mushi, ou cozimento de kago:

Após a colheita, os ramos de kōzo são colocados em uma grande bacia chamada koshiki e submetidos ao vapor por cerca de três horas, para facilitar a remoção da casca.

©Kurotani Washi Cooperative Association

Kago hegi:

As cascas externas escuras de kōzo, chamadas de kurokawa, são removidas da planta cozida. Posteriormente, essas cascas são secas.

©Kurotani Washi Cooperative Association 

Kago soroi:

A casca preta seca é deixada na água do rio para amolecer. Em seguida, a camada escura da superfície e as imperfeições são removidas manualmente, uma a uma, com uma faca, até se obter a casca branca (shirokawa).

©Kurotani Washi Cooperative Association

Kago taki:

As cascas brancas são cozidas em água alcalina fervente por um período de uma hora e meia a duas horas, para retirar as impurezas e amaciar as fibras.

©Kurotani Washi Cooperative Association

Kago midashi:

Após o cozimento, as cascas são imersas em água para remover resíduos e poeira.

©Kurotani Washi Cooperative Association

Kami tataki:

As fibras das cascas são batidas para que se soltem, subdividindo-se uniformemente na água.

©Kurotani Washi Cooperative Association 

Kami suki ou tesuki, ou fabricação do papel:

Utilizando um suketa (su significa tela fina; keta, moldura de bambu), a água e as fibras são recolhidas. Ao agitar o líquido, as fibras se entrelaçam, formando a camada de papel.

©Kurotani Washi Cooperative Association 

Kami hoshi, ou secagem do papel:

Os papéis fabricados são fixados em placas de madeira para secar, concluindo o processo.

©Kurotani Washi Cooperative Association

– A história do washi no Japão

O washi, papel tradicional japonês, é utilizado há séculos como suporte essencial dos registros e da cultura do Japão. Com a difusão do budismo, passou a ser empregado na cópia de sutras e, mais tarde, também em documentos oficiais e livros de contabilidade.

Graças às longas fibras vegetais, como as do kōzo, e à técnica artesanal do papel feito à mão, desenvolveu-se um material fino, resistente e de grande durabilidade, adequado à preservação por longos períodos.

Por essas qualidades, o washi continua sendo utilizado ainda hoje na restauração de documentos antigos e pinturas de valor excepcional.

Com o passar do tempo, seu uso deixou de se limitar à escrita e se expandiu para materiais arquitetônicos, como shōji (painéis ou portas corrediças) e fusuma (divisórias), além de objetos do cotidiano, como guarda-chuvas e lanternas, tornando-se profundamente presente no dia a dia japonês.

À medida que as técnicas se desenvolveram em diferentes regiões, surgiram tradições de destaque, como o Mino washi (Província de Gifu), o Echizen washi (Província de Fukui) e o Tosa washi (Província de Kōchi), conhecidos como os “Três Grandes Washi do Japão”, formando uma rica diversidade cultural enraizada em cada território.

Em 2014, essas técnicas de produção artesanal do washi feito à mão foram reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reafirmando seu valor em escala mundial.

©Mino Handmade Paper Co-operative

©Nakagawa Masashichi Shoten

– Características do washi

Apesar de fino, é um material resistente, difícil de rasgar, com durabilidade adequada para preservação de longo prazo. Toque suave. Alta respirabilidade e capacidade de regulação da umidade. 

Fonte: Kurotani Washi Cooperative Association

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