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A Seda // Shiro: uma escala de nuances
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22.07.2026
Atualizado em 28.07.2026

A Seda // Shiro: uma escala de nuances

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22.07.2026

No Japão, existem as chamadas cores tradicionais, ou dentōshoku, nascidas da referência à vasta natureza e associadas ao apurado senso estético japonês. Dentre elas, shiro a cor branca — abrange uma gama de tons. 

Essas nuances refletem diversas paisagens presentes no imaginário dos japoneses e ressaltam características como brilho, concisão, pureza e suavidade.

No contexto da exposição ‘Shiro: uma escala de nuances, a JHSP apresenta esses matizes, suas acepções, e como esses tons permeiam a vida cotidiana do arquipélago nipônico a partir de quatro elementos: a neve, o sal, o papel e a seda.

A seda

A seda é uma fibra proteica natural produzida pelo bicho-da-seda. É composta por duas proteínas: a fibroína, que constitui a parte fibrosa, e a sericina, que envolve essa primeira. O fio de seda recém-extraído do casulo não tem o brilho nem o toque suave na pele característicos do tecido de seda, pois a sericina ainda está aderida à superfície. Essas características surgem após o processo de refinamento, no qual a sericina excedente é removida.

Fonte: Tomioka silk promotion organization ©Tomioka silk promotion organization

Matéria-prima

Bicho-da-seda (Bombyx mori), folhas de amoreira (alimento principal das larvas) e casulos (matéria-prima dos fios de seda).

É possível extrair, a partir de um único casulo, um fio contínuo que pode chegar a aproximadamente 1.500 metros de comprimento.

– Processo de fabricação

A sericicultura é a criação de bichos-da-seda. O processo consiste em cultivar e alimentar as lagartas com folhas de amoreira.

Ao atingir a fase adulta, as lagartas constroem seus casulos a partir de uma secreção produzida pelas glândulas sericígenas. Rica em fibroína e revestida por sericina, essa secreção se transforma em um fio contínuo à medida que é expelida e fiada, sendo então tecida pelos movimentos da larva.

© Miyama Zenshoku Ltd.

Após um período de maturação, os casulos são selecionados e coletados antes que os bichos-da-seda atinjam a fase de mariposa e saiam dos casulos, rompendo-os.

© Miyama Zenshoku Ltd.

Os casulos são comumente tratados com água quente ou outros processos que envolvem calor para amolecer a sericina e facilitar o desenrolamento dos fios.

© Miyama Zenshoku Ltd.

Encontradas as pontas dos fios nos casulos, algumas delas são unidas para que os fios sejam desenrolados continuamente. Os fios são torcidos e agrupados em meadas (porção de fio único enrolado sem carretel).

© Miyama Zenshoku Ltd.

Os fios em meadas são tecidos, resultando na seda crua.

© Miyama Zenshoku Ltd.

Fonte: Miyama Zenshoku Ltd.

– Família Imperial Japonesa e a sericicultura

A história da sericicultura na Família Imperial Japonesa é muito antiga, havendo menções a essa prática no Nihon Shoki (um dos livros mais antigos sobre a história do Japão, datado de 720), no qual se afirma que os bichos-da-seda eram criados pela imperatriz. A sericicultura da Família Imperial atual remonta a 1871, quando a então imperatriz retomou essa tradição que havia sido interrompida por um longo período. Desde então, houve momentos de hiato devido a incêndios do criadouro e à transferência do local, mas a sericicultura praticada no Palácio Imperial vem sendo transmitida às sucessivas imperatrizes sob a forma de kōgō goshinsan (em tradução livre: “sericicultura de Sua Majestade, a Imperatriz”), tornando-se uma das tradições culturais mantidas e herdadas pela Família Imperial do Japão.

Atualmente, a sericicultura imperial é realizada nos fundos do Palácio Imperial, no Momijiyama Goyōsanjo, situado em uma colina que ainda preserva fortemente a paisagem de Musashino, cidade da província de Tóquio. Recentemente, demonstrou-se que os fios de seda extremamente delicados produzidos a partir de Koishimaru, uma raça pura da variedade de bicho-da-seda nativa do Japão, criada pela imperatriz, são essenciais para a restauração de fragmentos de tecidos históricos, sendo utilizados nos tesouros do Shōsō-in, entreposto do século VIII localizado no templo Tōdai-ji, em Nara, e na conservação de bens culturais de grande valor.

Fonte: Momijiyama Imperial Cocoonery and Restoration of Shoso-in Textiles

Publicado por Kikuyou Court Culture Institute

– Principais regiões produtoras

Tango (província de Quioto), Tsuruoka (província de Yamagata), Tomioka (província de Gunma), Kiryū (província de Gunma) e Okaya (província de Nagano).

 

– Características da seda:

Brilho suave, característico de fibras naturais. Alta compatibilidade dérmica, por ser feita a partir de proteínas similares às da pele humana. Leve, flexível e ao mesmo tempo altamente resistente. Muito confortável, com excelente absorção e liberação de umidade.

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