Tatami: espaço e significado
O tatami, um tipo de revestimento tradicional japonês, abordado na exposição ‘Anatomia pré-fabricada: um morar no Japão’, se assemelha a tapetes e é composto por três camadas.
A estrutura central, chamada tatami-doko, costuma ser feita de palha seca ou outros materiais naturais. Essa base é revestida por duas camadas externas chamadas tatami-omote, tecidas com junco solto (Juncus effusus), planta semelhante à grama. Nas extremidades, o tatami-beri, faixa protetora geralmente feita de tecido, reforça as bordas, evita o desgaste dos cantos e garante um encaixe mais uniforme entre as peças.
Por ser produzido com materiais naturais, o tatami contribui para o conforto térmico dos espaços, ajudando a reter o calor e a controlar a umidade do ambiente.
Uma unidade de medida arquitetônica
Embora suas dimensões possam variar regionalmente, uma medida padrão foi estabelecida: uma proporção de 2:1 entre comprimento e largura, aproximadamente 180 × 90 cm.
Essa padronização tornou o tatami uma importante unidade arquitetônica a partir dos períodos Kamakura (1185–1333) e Muromachi (1336–1573), quando seu uso passou a abranger amplos espaços residenciais. Desde então, passou a ser comum que cômodos sejam descritos pela quantidade de tatami que comportam como o Rokujō (六畳), equivalente a seis tatami, medida frequente em salas de estar e quartos; ou o Yojōhan (四畳半), com quatro tatami e meio, tradicionalmente utilizado em salas de cerimônia do chá.
Aspectos funcionais, ritmo visual e fluxo de circulação
A disposição dos tatami dentro dos ambientes também segue regras específicas, que refletem tanto aspectos funcionais quanto valores simbólicos e estéticos. É evitado, por exemplo, que os cantos de quatro tatami se encontrem em uma encruzilhada, algo que pode ser associado a maus presságios.
O arranjo das peças contribui para criar ritmo visual e fluxo de circulação, influenciando diretamente a maneira como as pessoas ocupam e se movem pelo espaço. Não por acaso, a ergonomia japonesa – incluindo mobiliário e elementos decorativos – é pensada para estar na altura do olhar de alguém sentado sobre o tatami, muitas vezes na tradicional posição seiza, em que os joelhos ficam dobrados e a pessoa senta sobre os calcanhares.