Assine nossa newsletter
Tatami: espaço e significado
-
-
COMPARTILHE:
Compartilhar no Whatsapp
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Linkedin
JHSP Online
03.10.2025

Tatami: espaço e significado

COMPARTILHE:
Compartilhar no Whatsapp
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Linkedin
03.10.2025

Tatami: espaço e significado

O tatami, um tipo de revestimento tradicional japonês, abordado na exposição ‘Anatomia pré-fabricada: um morar no Japão’, se assemelha a tapetes e é composto por três camadas

A estrutura central, chamada tatami-doko, costuma ser feita de palha seca ou outros materiais naturais. Essa base é revestida por duas camadas externas chamadas tatami-omote, tecidas com junco solto (Juncus effusus), planta semelhante à grama. Nas extremidades, o tatami-beri, faixa protetora geralmente feita de tecido, reforça as bordas, evita o desgaste dos cantos e garante um encaixe mais uniforme entre as peças.

Por ser produzido com materiais naturais, o tatami contribui para o conforto térmico dos espaços, ajudando a reter o calor e a controlar a umidade do ambiente.

Uma unidade de medida arquitetônica

Embora suas dimensões possam variar regionalmente, uma medida padrão foi estabelecida: uma proporção de 2:1 entre comprimento e largura, aproximadamente 180 × 90 cm

Essa padronização tornou o tatami uma importante unidade arquitetônica a partir dos períodos Kamakura (1185–1333) e Muromachi (1336–1573), quando seu uso passou a abranger amplos espaços residenciais. Desde então, passou a ser comum que cômodos sejam descritos pela quantidade de tatami que comportam como o Rokujō (六畳), equivalente a seis tatami, medida frequente em salas de estar e quartos; ou o Yojōhan (四畳半), com quatro tatami e meio, tradicionalmente utilizado em salas de cerimônia do chá.

Aspectos funcionais, ritmo visual e fluxo de circulação

A disposição dos tatami dentro dos ambientes também segue regras específicas, que refletem tanto aspectos funcionais quanto valores simbólicos e estéticos. É evitado, por exemplo, que os cantos de quatro tatami se encontrem em uma encruzilhada, algo que pode ser associado a maus presságios. 

O arranjo das peças contribui para criar ritmo visual e fluxo de circulação, influenciando diretamente a maneira como as pessoas ocupam e se movem pelo espaço. Não por acaso, a ergonomia japonesa – incluindo mobiliário e elementos decorativos – é pensada para estar na altura do olhar de alguém sentado sobre o tatami, muitas vezes na tradicional posição seiza, em que os joelhos ficam dobrados e a pessoa senta sobre os calcanhares.

 

Integração ou a separação de espaços de acordo com a necessidade

O tatami também se articula com outros elementos arquitetônicos das residências japonesas. Por se tratar de um revestimento que requer cuidado e limpeza constantes, o genkanárea de entrada das casas onde os sapatos são deixados – desempenha um papel fundamental em sua preservação. Já as divisórias leves conhecidas como fusuma e shoji, feitas geralmente de madeira e papel, permitem que os ambientes sejam modulados de forma flexível, possibilitando a integração ou a separação de espaços de acordo com a necessidade.

Mais do que um elemento construtivo, o tatami carrega significados profundos e traduz valores centrais da cultura japonesa: simplicidade, pureza e funcionalidade. Sua presença nos espaços revela uma maneira de habitar o mundo que prioriza o equilíbrio, a harmonia e o respeito ao ambiente.

A JHSP chega primeiro na sua caixa de entrada!

Quinzenalmente, você pode conferir os eventos virtuais e presenciais que já têm data marcada, saber das exposições em cartaz ou que estão por vir, acessar conteúdos exclusivos sobre arquitetura, cultura, gastronomia, negócios, literatura, tecnologia, turismo… E muito mais!

Assine a JHSP News e amplie seus conhecimentos sobre a cultura nipônica da atualidade com apenas alguns cliques.