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Imbuídos das forças das florestas do Japão – Mestres da carpintaria: habilidade e espírito | Ferramentas da carpintaria japonesa
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JHSP Online
10.11.2025
Atualizado em 18.06.2026

Imbuídos das forças das florestas do Japão – Mestres da carpintaria: habilidade e espírito | Ferramentas da carpintaria japonesa

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A. Sumi-kake dōgu (Ferramentas de marcação)

Sashigane (Esquadro de carpinteiro)

O sashigane é um esquadro de carpinteiro, ferramenta em forma de “L” usada para medir comprimentos e ângulos e desenhar linhas em materiais variados. Também é conhecido como kane-shaku ou magari-gane. O lado mais longo é chamado de naga-te ou chōshi (literalmente, “galho longo”), e o lado mais curto é chamado de tsuma-te ou tanshi (literalmente, “galho curto”).

A frente costuma ter as medidas padrão gravadas, enquanto o verso apresenta as mesmas medidas multiplicadas por √2 ou por π. Algumas versões decorativas incluem escalas que indicam a medida japonesa de um shaku (30,3 cm) e dois suns (6,06 cm) em oito partes, o que totaliza 36,36 cm. As versões desse esquadro chamadas rohan-shaku costumam ter oito símbolos (quatro auspiciosos e quatro desfavoráveis) no lugar dos números: sorte (kichi), riqueza (zai), justiça (gi), palácio (kyū), calamidade (), separação (ri), dano (gai) e doença (byō).

Por se tratar de uma ferramenta indispensável para carpinteiros, é tratada com grande respeito. O ato de pisar em um deles no local de trabalho seria imediatamente advertido com gritos furiosos. Tradicionalmente feitas de ferro ou latão, as versões em aço inoxidável foram introduzidas no período Showa (1926-1989). Algumas versões em latão eram reforçadas com aço na parte do ângulo reto (kado-tetsu-iri) para evitar distorções indesejadas.

Com largura típica de 5 bu (15 mm) e cerca de 6 rin (2 mm) de espessura, o sashigane apresenta certa flexibilidade no lado mais longo. Embora tivesse as marcações, por tradição, em unidades sun, a imposição temporária do sistema métrico obrigou a adoção de marcações em centímetros. No entanto, a regulamentação foi depois flexibilizada, e as versões com as medidas tradicionais puderam ser usadas novamente.

Awase-jōgi (Réguas de alinhamento)

O awase-jōgi é um par de réguas usado em conjunto para garantir o alinhamento ou a medição precisa ao unir duas peças de madeira. Essas réguas ajudam os carpinteiros a manter a precisão nas medições e cortes, garantindo que as peças unidas se encaixem perfeitamente. Cada peça deve estar perfeitamente reta, e isso se verifica colocando as duas peças uma sobre a outra e esfregando-as, para garantir que não haja espaço entre elas.

Tomegata-jōgi (Esquadro de meia-esquadria), Kiguchi-jōgi (Bloco de medição)

O tomegata-jōgi é um esquadro feito com uma tábua fina em formato de losango, com ângulo de 45 graus. Ele permite que os carpinteiros desenhem linhas em ângulos de 45 graus ou posicionem suas serras para cortar madeira nesse ângulo. Essa ferramenta é essencial para criar juntas de esquadria. O kikuchi-jōgi, ou bloco de medição, é feito de duas placas retangulares unidas perpendicularmente e é usado para cortar ângulos retos. O esquadro com combinação de ângulos de 90 e 45 graus é chamado de hako-tomegata-jōgi. Ferramentas semelhantes, mas com maior espessura de placa, são conhecidas como koguchi-jōgi e utilizadas para auxiliar no acabamento da seção transversal da madeira com uma plaina. De maneira similar, o kezuri-dai também é uma ferramenta em forma de bloco, usada como guia ao aplainar.

Makigane (Esquadro pequeno de carpinteiro)

O makigane é um esquadro de carpinteiro um pouco mais curto e espesso que o sashigane, embora alguns usem a mesma escala. São feitos de ferro, latão ou aço inoxidável e utilizados principalmente para verificar ângulos retos.

Suiheiki (Nível de bolha)

O suiheiki é um nível de bolha. Dois frascos nivelados são integrados a uma régua de madeira ou metal. O movimento e a posição das bolhas nos frascos são usados para verificar a precisão do alinhamento horizontal e vertical.

Sumi-tsubo (Tinteiro para nanquim)

O sumi-tsubo, que literalmente significa “tinteiro”, é utilizado para traçar linhas retas longas e precisas em superfícies de madeira ou outros materiais. Um fio de seda (tsubo-ito) é amarrado a um pequeno peso redondo de madeira com uma agulha fixada na ponta (karuko). A outra ponta do fio é enrolada em um carretel (itomaki-guruma). Para marcar uma linha, o fio é passado por um reservatório (ike) que contém algodão embebido em tinta preta (sumi) e por uma pequena abertura (ito-guchi) na extremidade do tinteiro.

Shu-tsubo (Tinteiro para tinta vermelha)

O shu-tsubo é um sumi-tsubo (tinteiro) que utiliza ocre vermelho (benigara), um pigmento feito com óxido de ferro vermelho, em vez de tinta preta para marcar linhas. Como o benigara pode ser removido com água, é utilizado principalmente para marcar madeiras naturais, como troncos polidos, que serão utilizados mantendo sua textura e casca originais. Assim, o artesão pode traçar suas linhas sem comprometer a textura da madeira.

Sumi-sashi (Marcador de bambu), Sumi-sashi (Marcador de bambum para tinta vermelha)

O sumi-sashi é uma ferramenta de marcação geralmente feita de bambu. Uma extremidade tem o formato de uma espátula para traçar linhas e a outra é pontiaguda, para escrever símbolos ou letras. É utilizada em conjunto com um tinteiro, um sumi-tsubo ou shu-tsubo. O lado em forma de espátula tem de 10 a 15 cm de largura, com uma fenda fina e vertical a cerca de 1 a 2 cm da ponta, que é então cortada em ângulo. É essa ponta que, guiada por um esquadro como o sashigane, permite ao artesão traçar suas linhas com precisão. Diz-se que artesãos experientes conseguem fazer de 30 a 40 fendas extremamente finas na ponta, transformando o marcador em um tipo de pincel.

Ito-maki (Carretel)

O ito-maki é uma ferramenta utilizada para estabelecer uma linha de referência, unindo com um fio dois pontos que foram nivelados por meio de um nível de bolha.

B. Suji-kebiki (Medidores de marcação)

Suji-kebiki (Medidor para marcação em madeira)

O suji-kebiki é um utensílio utilizado para marcar linhas paralelas a uma superfície de referência. Existem diferentes tipos de medidor (kebiki) projetados para propósitos distintos. Aqueles com duas hastes (nihonsao-suji-kebiki) permitem a marcação de duas linhas diferentes: a lâmina de uma haste marca a linha principal e, ao girar o kebiki e repetir a mesma operação, a lâmina da outra haste marca a linha secundária. Outros com hastes longas (nagasao-kebiki) permitem que o carpinteiro marque linhas mais distantes da borda ao manusear uma madeira mais larga.

Kama-kebiki (Medidor para marcação dupla em madeira)

O kama-kebiki é um utensílio para marcação dupla equipado com duas barras de metal em forma de “L”, com lâminas nas extremidades das partes mais curtas. As barras longas deslizam sobre a madeira, paralelamente à superfície e ao longo da ferramenta, e são fixadas por um parafuso de acordo com a largura desejada. Durante o movimento, as lâminas marcam a superfície. Essa ferramenta é usada quando uma saliência na superfície da madeira pode impedir o movimento e prejudicar a marcação.

Wari-kebiki (Medidor de marcação para serrar madeira)

O wari-kebiki é um pouco maior e mais resistente que o suji-kebiki e é utilizado para serrar madeiras finas no sentido do comprimento.

c. Nokogiri (Serra)

Anahiki-nokogiri (Serrote de ponta arredondada)

O anahiki-nokogiri é um serrote de desbaste de ponta arredondada. Conhecido também como hanamaru-nokogiri, tem cerca de 39 a 48 cm de comprimento e é utilizado principalmente na carpintaria bruta, como para cortar a extremidade de toras. Tem dentes angulares, o que o torna adequado para cortar materiais na diagonal.

Hikikiri (Serra para cortes transversais)

Comumente conhecido simplesmente como kiri, este serrote mede de 24 a 36 cm de comprimento e é utilizado principalmente para cortes transversais.

Ryōba-noko (Serrote de dois gumes)

O ryōba-nokogiri é um serrote que tem dois gumes e dois conjuntos de dentes: um para corte longitudinal e outro para corte transversal. Os comprimentos das lâminas variam entre 24 e 36 cm. A partir da década de 1890 essa ferramenta tornou-se popular em todo o Japão.

Dōzuki-noko (Serrote de dorso)

O dōzuki-nokogiri é um serrote com lâmina fina, medindo de 24 a 30 cm, reforçado com metal ao longo de seu dorso. Seus dentes finos criam cortes estáveis e delicados, tornando esse serrote adequado para trabalhos de precisão. É muito utilizado em carpintaria fina, principalmente para a criação de encaixes detalhados.

Azebiki-nokogiri (Serrote pequeno de dois gumes)

O azebiki-nokogiri é um serrote de dois gumes com uma lâmina curta e curva, medindo de 6 a 10,5 cm. O seu formato é ideal para realizar cortes ou furos na parte interna de uma peça de madeira. Essa ferramenta tornou-se amplamente utilizada em todo o Japão a partir do período Meiji (1868-1912). 

Hikimawashi-nokogiri (Serrote de ponta)

O hikimawashi-nokogiri é um tipo de serrote projetado para criar recortes curvos na madeira. A serra corta no movimento de puxar. Os comprimentos típicos da lâmina variam de 18 a 30 cm.

d. Nomi (Cinzéis)

Hiro-nomi (Formão de impacto com lâmina larga)

O hiro-nomi é um formão de impacto, tal qual o hon-tataki-nomi, com a peculiaridade de suas lâminas terem larguras superiores a 3,6 cm. Essa ferramenta costuma ter lâminas relativamente mais finas e é usada para aplainar superfícies de madeira no sentido do veio.

Ōire-nomi (Formão de cabo curto)

O ōire-nomi é um tipo de formão caracterizado por sua ponta de lâmina e haste finas e curtas. A haste geralmente tem cerca de 4,5 cm de comprimento. São usados para trabalhos de carpintaria que exigem grande precisão, com larguras de lâmina variando de 0,3 cm a 4,8 cm.

Hon-tataki-nomi (Formão de impacto)

O hon-tataki-nomi é um formão de impacto robusto com lâminas longas e espessas. O comprimento da haste varia de 6 a 7,6 cm, e a lâmina, de 0,3 a 3 cm. São utilizados para trabalhos pesados, como para abrir furos em materiais estruturais.

Mukōmachi-nomi (Formão de canto)

O mukōmachi-nomi é um formão de canto robusto, com ponta de lâmina grossa e estreita e seção transversal retangular. A largura da lâmina varia de 0,15 a 1,8 cm, e a lâmina tem a mesma espessura da ponta. Esse formão é utilizado principalmente para esculpir cavidades de encaixe de portas e painéis divisórios (tategu), o que lhe rendeu o nome alternativo de tateguya-nomi (formão de portas do carpinteiro).

Kote-nomi (Formão em forma de espátula)

O kote-nomi, ou formão em forma de espátula, tem cabo longo e uma lâmina em formato de kote, como são conhecidas as espátulas utilizadas na construção civil do Japão. A largura da lâmina varia de 0,6 a 3 cm. Esse tipo de formão é utilizado para dar acabamento às superfícies internas de cavidades de encaixe criadas por outros formões. Eles não são feitos para serem golpeados e receber o impacto de martelos. Consequentemente, não dispõem de um anel de metal (katsura) no cabo.

Ari-nomi (Formão para encaixes do tipo cauda de andorinha)

O ari-nomi, ou formão para encaixes em cauda de andorinha, tem uma lâmina relativamente longa, com a ponta formada por duas laterais finas como uma lâmina e com uma crista central, o que lhe confere uma seção transversal triangular. É utilizado para dar acabamento manual em cantos com ângulos agudos (como os de junta em cauda de andorinha). A largura padrão da lâmina varia de 0,3 a 3 cm. Geralmente não dispõe de um anel metálico (katsura) no cabo.

Tsuki-nomi (Formão de acabamento)

O tsuki-nomi é um formão com lâminas longas e relativamente finas, medindo de 0,24 a 6 cm de largura. Essa ferramenta é utilizada para dar acabamento em superfícies de elementos estruturais. Com cabo e haste longos, é manuseado com as duas mãos e empurrado contra a madeira. Normalmente, não dispõe de anel metálico (katsura) no cabo.

Tsuba-nomi (Formão guarda de espada)

O tsuba-nomi recebe esse nome devido à saliência na base da haste que lembra um tsuba, como é chamado o guarda-mão de espadas japonesas. É um formão utilizado para fazer furos em peças de madeira para a inserção de pregos grandes. Após martelar a ferramenta até a profundidade desejada, a guarda (tsuba) é golpeada por baixo para extraí-la. A ponta da lâmina pode ter duas versões: de um ou dois gumes.

Ura-maru-nomi (Goiva)

O ura-maru-nomi é uma goiva em que a extremidade da lâmina é arredondada e curva. É utilizada para raspar ou esculpir superfícies curvas. As larguras típicas das lâminas variam de 0,3 a 3,6 cm.

e. Kiri (Verruma)

Yohō-giri (Verruma de quatro faces)

A yohō-giri é uma verruma utilizada para fazer furos para cavilhas de madeira ou bambu.

Mitsume-giri (Verruma de três olhos)

A mitsume-giri é uma verruma utilizada para fazer furos para pregos.

Tsubo-giri (Verruma de pote)

A tsubo-giri é uma verruma utilizada para fazer furos para cavilhas de madeira ou para aberturas que exigem diâmetro maior.

Nezumiha-giri (Verruma dente de rato)

A nezumiha-giri é uma verruma utilizada para fazer furos no bambu.

Bōruto-kiri (Verruma parafuso)

Uma bōruto-kiri, também chamada de gimune, é uma verruma helicoidal com cabo em formato de T. Trata-se de uma ferramenta robusta, capaz de criar furos grandes e profundos. É utilizada principalmente para fazer aberturas em vigas e caibros para a inserção de cabos ou para permitir a passagem de parafusos e pinos.

F. Kanna (Plaina)

Shiage-ganna (Plaina de acabamento), Muratori-ganna (Plaina para nivelar imperfeições), Jōshikō-ganna (Plaina de acabamento), Arashikō-ganna (Plaina para desbaste), Chūshikō-ganna (Plaina para acabamento intermediário), Nagadai-ganna (Plaina com base longa)

As plainas japonesas, chamadas de kanna, podem ser subdivididas em três tipos de acordo com os diferentes estágios de acabamento de superfície. A arashikō-ganna tem uma lâmina relativamente longa e larga e é utilizada para desbastar a madeira, removendo lascas grossas de superfícies ásperas. A chūshikō-ganna dispõe de uma lâmina mais estreita e é empregada no preparo intermediário da superfície, antes da última etapa do processo. Por fim, a shiage-ganna ou jōshikō-ganna tem a lâmina ainda mais estreita e curta e é utilizada ao final, para proporcionar um acabamento polido. Além disso, a base da ferramenta também é ajustada para cada tipo de plaina.

Entre as plainas planas (hira-ganna), aquelas que têm largura de lâmina superior a 9 cm são chamadas de ō-ganna (literalmente “plaina grande”). As versões com menos de 54mm, são chamadas de ko-ganna (lit. “plaina pequena”). Plainas excepcionalmente pequenas são chamadas de mame-ganna (lit. “plaina feijão”).

Por sua vez, uma kanna com uma lâmina de largura padrão, mas com uma base alongada, medindo cerca de 40 cm, é chamada de nagadai-ganna (lit. “plaina com base longa”). Já a versão com uma base medindo cerca de 35 cm é chamada de chūdai-kanna (lit. “plaina com base de comprimento médio”).

Sotomaru-ganna (Plaina para superfícies côncavas), Uchimaru-ganna (Plaina para superfícies convexas)

A sotomaru-ganna (literalmente “plaina arredondada para fora”) é uma plaina que tem a superfície da base inferior curvada para o lado externo, sendo utilizada para aplainar superfícies côncavas. Já a uchimaru-ganna (lit. “plaina arredondada para dentro”) tem a superfície da base inferior curvada para o lado interno e é empregada para aplainar superfícies convexas. A extremidade de cada lâmina é projetada para seguir o formato do arco da base. Dependendo da curvatura, existem diversas variações, como fuka-maru (lit. “arco profundo”, tanto para versões sotomaru e uchimaru) e jiku-maru (lit. “arco axial”, para versão sotomaru).

Kiwa-kanna (Migi-gatte) (Plaina de canto, tipo destra), Kiwa-kanna (Hidari-gatte) (Plaina de canto, tipo canhota)

A kiwa-kanna é uma plaina de canto cuja lâmina, que é inclinada diagonalmente, se estende até um dos cantos da base. Dependendo da orientação da lâmina, ela é classificada como destra (lâmina se estende para a esquerda) ou canhota (lâmina se estende para a direita). Ela é utilizada para trabalhos de precisão em cantos internos ou em espaços reduzidos. Algumas versões vêm com uma guia ajustável acoplada na base. Isso permite que o artesão modifique a largura do corte ajustando a guia com os parafusos.

Soko-jakuri-ganna (Plaina de acabamento para cavidades)

A soko-jakuri-ganna é um tipo de plaina utilizado para dar acabamento no fundo das cavidades, bem como soleiras e dintéis de madeira. A lâmina é geralmente semelhante à de um formão e varia de 0,9 a 3 cm de largura, com a maioria medindo entre 1,5 e 2,1 cm. De acordo com o formato da lâmina e da base são classificadas em quatro tipos: nishi-gata (forma Oeste), higashi-gata (forma Leste), kushi-gata (forma de pente) e osaka-gata (forma de Osaka).

Motoichi-jakuri-ganna (Plaina para cavidades largas)

A motoichi-jakuri-ganna é uma plaina que tem a mesma função que a ari-jakuri-ganna, ou seja, desbastar grosseiramente os encaixes do tipo cauda de andorinha. A diferença está no fato de ter guias ajustáveis nas laterais da base, permitindo o controle da profundidade e do comprimento da cavidade a ser criada. A largura da lâmina normalmente varia de 1,5 a 2,1 cm.

Wakitori-ganna (Plaina de acabamento lateral), Hibukura-ganna (Plaina de acabamento lateral pontiaguda)

A wakitori-ganna é utilizada para desbastar e dar acabamento nas laterais de cavidades e entalhes. A lâmina, semelhante à de uma pequena faca de entalhe (kurikogatana), é fixada de modo que a sua ponta se projete pela lateral da base. Há duas versões, de acordo com a direção de uso, sendo classificadas como destra (migikatte) ou canhota (hidarigatte). A seção transversal da base é projetada com uma parte superior mais larga e robusta, afinando para uma base mais estreita e escalonada na parte inferior. Aquelas com uma base estreita e plana são chamadas de wakitori-ganna e são utilizadas para aplainar as laterais de cavidades mais largas. Aquelas que se estreitam quase até a extremidade são chamadas de hibukura-ganna e são usadas para trabalhar em cavidades mais estreitas e cantos difíceis de acessar.

Soridai-ganna (Plaina Compass), Shihō-soridai-ganna (Plaina Compass curvada em quatro direções)

A soridai-ganna é um tipo de Plaina Compass cuja lâmina é acoplada a uma base relativamente menor do que a versão padrão. Ela é curva na parte inferior, lembrando o formato de uma colher. É utilizada para aplainar superfícies com grandes curvaturas. Uma variante, a shihō-soridai-ganna (literalmente “plaina curvada em quatro direções”) apresenta base curva tanto no sentido do comprimento quanto da largura. Outro tipo, a funazoko-ganna (lit. “plaina com fundo de navio”), tem a base curvada para fora no sentido do comprimento, mas curvada para dentro no sentido da largura. As soridai-ganna costumam ser menores do que as outras plainas japonesas.

Ari-jakuri-ganna (Plaina deslizante para encaixe do tipo cauda andorinha)

A ari-jakuri-ganna é uma plaina usada para aplainar e dar acabamento nos encaixes das juntas do tipo cauda de andorinha (ari-gata). Existem dois tipos: a convexa (ogi), que faz a lingueta, e a côncava (megi), que faz a cavidade. Alguns modelos para a parte convexa podem ser equipados com uma guia ajustável por parafuso. O intuito é controlar a largura da lâmina e, consequentemente, a profundidade do encaixe. Existem também plainas combinadas capazes de trabalhar os dois lados do encaixe em uma única ferramenta.

Mentori-ganna (Plaina de moldagem)

A mentori-ganna é utilizada para criar entalhes e chanfros decorativos em peças de madeira. A superfície inferior do corpo e a lâmina da plaina são moldadas de acordo com o chanfro desejado. Aquelas que operam em cantos da madeira frequentemente dispõem de uma guia lateral, projetada para garantir a estabilidade durante o trabalho. Existem dois tipos de guias: uma fixa, com formato triangular, que abraça o canto da peça, e outra ajustável, que permite regular o formato do chanfro. Certos modelos têm duas lâminas para esculpir perfis mais complexos.

Kikai-jakuri-ganna (Plaina para encaixe do tipo cauda de andorinha)

A kikai-jakuri-ganna é um tipo de plaina para o encaixe do tipo cauda de andorinha usada para esculpir cavidades e entalhes estreitos. O termo kikai, que significa “máquina” em japonês, foi atribuído a essa plaina pela aparência mecânica de sua estrutura. Ela é equipada com uma guia ajustável por parafuso que controla a largura dos sulcos. A largura da lâmina geralmente varia de 0,15 a 1,5 cm. Antes da introdução do mecanismo de parafuso, essa plaina era conhecida como koana-tsuki.

g. Gennō (Martelo)

Ryoguchi-gennō (Martelo de carpinteiro de duas faces)

O ryōguchi-gennō é um martelo que tem duas superfícies de impacto: uma plana e outra ligeiramente convexa no centro. A superfície plana serve para golpear formões e fixar pregos, enquanto a convexa, chamada kigoroshi-men (literalmente “superfície que abate a madeira”), é utilizada para compactar as fibras da madeira, visando criar uma pequena folga para o encaixe perfeito de pilares ou para a instalação do anel de metal (katsura) em formões. Esse lado também é utilizado para o golpe final em pregos, evitando que a ponta do martelo danifique a superfície da madeira.

As dimensões desse tipo de martelo são determinadas pelo seu peso, que ainda hoje é medido na unidade tradicional japonesa monme. Os que são utilizados para trabalhos mais pesados têm geralmente 100 monme (375 g). O cabo é normalmente feito de carvalho japonês (kashi).

Sakigiri-kanazuchi (Martelo pontiagudo)

Os martelos kanazuchi são usados principalmente para fixar pregos. Costumam ter uma superfície de impacto plana e uma superfície de impacto pontiaguda para fixar pregos em cantos estreitos. Os tipos mais representativos incluem o sakigiri-kanazuchi, o shitahara-kanazuchi e o yonbun-no-ichi-kanazuchi.

h. Ferramentas de manutenção

Ryōguchi-supana (Chave-inglesa dupla)

Utilizadas de forma semelhante em todo o mundo, chaves-inglesas são ferramentas usadas para trabalhar com parafusos e porcas, e podem ter aberturas em uma ou ambas as extremidades.

Asari-tsuchi (Martelo asari)

Os dentes de uma serra se desgastam com o tempo e perdem o fio, causando a deterioração do desempenho de corte. Por isso, a afiação periódica se faz necessária. Esse processo é chamado de metate. Primeiro, a lâmina é colocada em uma bigorna e martelada com um hazuchi (martelo de lâmina) para corrigir qualquer deformação ou empeno. Em seguida, os dentes são ajustados ou alinhados. Nesse processo, há dois métodos possíveis: o primeiro usa um ajustador de serra, ou meburi, que prende os dentes e os dobra alternadamente para a esquerda e para a direita para criar o ajuste correto. O segundo método usa um martelo asari, no qual os dentes são martelados alternadamente na borda da bigorna. Ao virar a serra e repetir o processo, todos os dentes são ajustados. Por fim, a ferramenta é afiada com uma lima para serra.

Metate-yasuri (Lima para serra)

Ao afiar uma serra, a lâmina é fixada em uma braçadeira, de forma que apenas os dentes fiquem expostos. Uma cunha é inserida na parte inferior da braçadeira para fixar a lâmina. Os dentes são então reparados e afiados com uma metate-yasuri (lima para serra), ajustando o ângulo de afiação e a inclinação do fio de corte de acordo com a aplicação da serra. Diferentes limas são usadas para diferentes tarefas. As limas de corte (hikigiri-yasuri) são usadas para afiação geral, enquanto as limas de amolar (surikomi-yasuri) são mais indicadas para serras maiores.

Shiage-to (Pedra de amolar para acabamento)

As pedras de amolar para acabamento, conhecidas como shiage-to ou awase-to, são usadas para polir o gume de corte até que sua superfície reflita como um espelho. A dureza dessas pedras varia de acordo com a finalidade. Exemplos de pedras de acabamento incluem uchigumori-do e suita-to. A maioria delas é proveniente de Quioto, sendo as da região de Nakayama, conhecidas como Honyama, particularmente famosas. O termo, aliás, se tornou sinônimo de pedras de acabamento de alta qualidade.

Dainaoshi ganna (Plaina para correção de bases)

A dainaoshi-ganna é uma plaina com uma única lâmina posicionada quase em ângulo reto com sua base. É mais curta do que uma plaina plana padrão e é uma ferramenta essencial para o acabamento e nivelamento da superfície inferior de outras plainas, garantindo aparas de alta qualidade. Também é usada para aparar madeiras mais duras, como sândalo ou ébano.

i. Outras ferramentas

Kuginuki (Enma) (Alicate tenaz)

Kuginuki, também conhecido como enma, é um tipo de alicate tenaz usado para extrair pregos cuja cabeça está saliente na superfície da madeira. Os pregos japoneses (wakugi), com sua seção transversal quadrada e cabeças achatadas, são muito específicos para serem retirados com ferramentas convencionais. A curvatura desta ferramenta transforma o seu corpo no ponto de apoio de uma alavanca. Para pregos mais longos ou profundamente cravados, um calço de madeira é colocado sob o lado curvo para aumentar a força e facilitar a extração.

Kuginuki (Kajiya) (Pé de cabra)

Existem dois tipos de pés de cabra usados para extrair pregos da madeira: o kajiya e o bāru (barra). O kajiya tem pontas duplas projetadas para prender a cabeça dos pregos. A cabeça do prego é enganchada na fenda e o princípio da alavanca é aplicado para extraí-lo, em um mecanismo semelhante ao do alicate tenaz (enma).

O bāru é uma barra longa com extremidade plana. Essa parte achatada também é eficaz para trabalhos de desmontagem, como separar seções pregadas, tornando-se uma ferramenta indispensável para os trabalhos de demolição.

Chave de fenda plana

Esta é uma ferramenta usada para apertar parafusos, idêntica às encontradas na Europa e no Brasil.

Kizuchi (Maço)

O kizuchi é um maço usado principalmente para inserir ou extrair a lâmina de uma plaina. A borda da plaina é batida com o maço para extrair a lâmina, e a própria lâmina é batida no processo de inserção na plaina. A mesma técnica é utilizada para realizar ajustes finos na lâmina.

j. Ono (Machado)

Chōna (Enxó)

O chōna ou enxó é uma ferramenta utilizada principalmente no desbaste e raspagem de madeira. É ideal para tarefas como alinhar e nivelar uma madeira, aparar bases de caibros, desbastar frontões e dar acabamento a pilares de tokonoma (alcova), onde marcas de ferramentas costumam ser propositalmente deixadas como elementos decorativos.

Essa ferramenta é utilizada segurando o cabo com as duas mãos e golpeando a madeira de cima para baixo, com a lâmina sempre voltada para quem a opera. Ela é projetada para desbastar e raspar a madeira no sentido dos veios. Para acabamentos mais refinados, a técnica exige movimentos mais longos e menos profundos. A maioria das lâminas do enxó tem dois gumes, mas há dois modelos distintos: o simétrico, no qual os lados das lâminas são quase perfeitamente alinhados ao centro do encaixe do cabo, e o assimétrico, onde é lâmina é propositalmente deslocada para um dos lados do cabo.

Daiku-masakari (Machado de carpinteiro)

Masakari são machados largos usados principalmente para esculpir e dar acabamento à madeira. O daiku-masakari (literalmente “machado de carpinteiro”) é uma versão de cabo curto, ideal para trabalhos de carpintaria bruta ou para fazer cunhas com sobras de madeira.

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