O Prunus serrulata, chamado de sakura, tornou-se o maior símbolo cultural do país. Seu florescimento, com pétalas branco rosadas, dura apenas alguns dias, inspirando o conceito de mono no aware, que podemos traduzir como uma sensibilidade à efemeridade das coisas, na apreciação estética da impermanência e transitoriedade das coisas. Essa tradição da contemplação de suas flores existe há mais de mil anos.
O Cinnamomum camphora (cânfora japonesa ou canforeira) é uma árvore perene da família Lauraceae, muito popular no Japão por produzir a cânfora, amplamente utilizada na medicina e em cosméticos, incensos e repelentes naturais, e tem como característica flores branco amareladas. Também lembro da Magnolia stellata, (magnólia-estrelada) nativa especialmente na região de Honshu, ilha central do Japão, com suas flores de perfume doce e suave – muitas vezes comparado a uma mistura de notas cítricas, florais e de baunilha – que tem formato de estrela e surgem parecendo tufos de pelúcia, com os ramos ainda desfolhados, sendo frequentemente visitadas por abelhas, besouros, moscas e borboletas. No Japão, a flor da magnólia é frequentemente associada à dignidade e à nobreza, sendo considerada uma flor sagrada.
É difícil relacionar as árvores e arbustos nativos no Japão, já que este possui uma flora muito rica, com cerca de 7.000 espécies de plantas distribuídas desde as florestas subtropicais das ilhas do sul, como as Ilhas Okinawa, especialmente nas Ilhas Ryūkyū onde habita a Cycas revoluta, conhecida como sagu-de-jardim, valorizada por sua beleza e resistência, até as florestas frias de Hokkaido, onde cresce a rosa rugosa (conhecida como hamanasu) um arbusto com flores de aroma agradável que variam de rosa escuro a branco, com pétalas enrugadas, que surgem na primavera.
Lá, nos arredores de Sapporo, onde os invernos são frios e com muita neve, desenvolve-se espontaneamente o Acer palmatum “Atropurpureum”, chamado de bordo-japonês-vermelho, conhecido pelos japoneses como momiji. Reconhecido por suas folhas que lembram a palma da mão com os dedos separados e pela coloração vermelho-vibrante no outono, é um dos símbolos mais característicos das paisagens sazonais japonesas e amplamente cultivada como planta ornamental, sendo um dos bonsais mais apreciados no mundo. No Brasil, pode ser adaptado em regiões serranas, como a Serra da Mantiqueira e Serra Gaúcha, cujas alturas acima do nível do mar superam os mil metros. Levando em conta seu esplêndido encanto, o porte pequeno e as raízes não invasivas, pode ser considerado para arborização urbana, em ruas estreitas, inclusive sob a fiação e, claro, nos jardins residenciais, onde se destaca como ponto focal ou contrastando com a paisagem. No Japão, o momiji é símbolo de renovação e da transitoriedade da beleza natural. A prática do momijigari, “contemplação das folhas de outono”, é uma tradição milenar em que as pessoas viajam para apreciar a mudança das cores das árvores.