Pilares da verdadeira transformação digital, a Inteligência Artificial, a computação em nuvem e a circulação de volumes massivos de dados despontam como tecnologias essenciais para os negócios modernos de diversos segmentos e para a nova economia digital.
Na base dessa revolução está uma poderosa e robusta infraestrutura que é a responsável por sustentar, proteger e escalar tudo o que acontece no dia a dia digital – redes, datacenters, pontos de conexão, entre outros -, que muitas vezes são invisíveis ou passam despercebidos dos usuários finais, sejam empresas ou pessoas físicas.
Manter todo esse ecossistema funcionando de forma totalmente segura, sem qualquer tipo de falha, 24 horas por dia, para garantir conectividade sempre disponível em grandes e pequenos centros, e ao mesmo tempo procurar modernizar toda a conectividade – na busca de posicionar o País como um hub global de dados, de olho num aumento exponencial de demanda de tráfego, outro lado dessa equação igualmente importante – são desafios com os quais os operadores e orquestradores se deparam cotidianamente.
Em mais um evento da série Conexões JHSP, promovido pela NEC e pela Rádio Eldorado FM, e que ocorreu em março, na Japan House São Paulo, executivos de destaque no mercado estiveram reunidos para discutir soberania digital, resiliência de rede, proteção e a importância da orquestração inteligente para aplicações críticas.
No debate ‘O Alicerce da Economia Digital: Infraestrutura como Viabilizadora da IA e Nuvem’, estiveram presentes Rogério Garchet, CEO da Eletronet; Marcos Vinícius Peigo, co-fundador e CEO da Scala Data Centers; Rafael Mezzasalma, Country Manager da Nokia Brasil; e Roberto Murakami, Vice-Presidente de Network e Telecom da NEC América Latina. A mediação foi do jornalista Daniel Gonzales.
A infraestrutura que alicerça a economia digital brasileira foi amplamente debatida no painel, que destacou ainda o projeto de ampliação da rede da Eletronet, principal operadora de uma extensa rede de fibra ótica instalada no topo das torres de energia no Brasil. A empresa acaba de escolher a Nokia e a NEC como parceiras na ampliação, em cerca de 50%, da extensão da sua fibra no país – serão aproximadamente 8 mil quilômetros de novas rotas, levando a malha da companhia a um total de 26 mil quilômetros de extensão e presença em 23 estados.
Falando em específico do Brasil, essa discussão ganha dimensão estratégica. O país reúne características raras, como território continental, matriz energética majoritariamente limpa, posição geopolítica estável e um mercado consumidor robusto, que o colocam como candidato natural a ocupar um papel relevante na nova economia baseada em dados. Ao mesmo tempo, enfrenta entraves estruturais que podem limitar essa trajetória.
Experiência do usuário x complexidade
Ao abrir o debate, o CEO da Eletronet, Rogério Garchet, trouxe a discussão para um ponto fundamental: a relação entre a experiência do usuário e a complexidade da infraestrutura que a sustenta.
Ele destacou que o Brasil avançou de forma significativa nessa área nos últimos anos. Segundo ele, esse crescimento foi muito acelerado de algum tempo para cá, o que causou certos descompassos, mas o avanço trouxe efeitos colaterais. “A partir do momento em que você tem muitas empresas, elas começam a ficar, muitas vezes, pouco resilientes”, observou – e isso não tem, necessariamente, a ver com o aumento exponencial de tráfego causado pela IA, segundo Garchet. “A gente acha que a IA chegou agora, mas já tem 20 anos que ela está por aí”.
Nesse novo cenário, a exigência mudou radicalmente, de acordo com o executivo, e isso ocorreu no sentido da busca de mais rapidez e agilidade. Uma parte essencial dessa infraestrutura está instalada em um lugar pouco percebido: as linhas de transmissão de energia, destacou o executivo.
A capilaridade, de acordo com ele, é ampla, e será bastante ampliada no projeto que envolverá a Eletronet, a NEC e a Nokia, e que foi discutido mais adiante.
A confiabilidade, de acordo com ele, é e continuará sendo um dos principais atributos de uma infraestrutura tão extensa. Garchet sintetizou com uma analogia. “Para ter aplicações na ponta, tem que ter estrada. É melhor andar numa estrada dupla, quádrupla, altamente resiliente, ou numa estrada cheia de buracos?”
Data centers, energia e a nova escala da IA
Ao aprofundar a discussão, o CEO da Scala Data Centers, Marcos Vinícius Peigo, trouxe a visão dos data centers como núcleo da economia digital. Essas estruturas, ao lado das redes de alto desempenho, funcionam como a base da economia digital, pois armazenam, processam e garantem o funcionamento contínuo dos serviços e dados que sustentam a internet e os negócios modernos. “Quando a gente fala de cloud e inteligência artificial, conectividade e energia são os dois grandes pilares que sustentam essas demandas”, afirmou Peigo.
Segundo ele, a inteligência artificial mudou completamente a lógica do setor. “Lá em 2019, a gente media datacenter em quantidade de rack. Hoje a gente mede em potência de energia”. O aumento de densidade, de acordo com ele, foi gigantesco. O executivo lembrou da dinâmica da IA nesse cenário, que vem incentivando tanto os projetos de grandes data centers quanto os menores, os edge data centers, trazendo altas demandas de processamento para mais perto das aplicações.
Porém, apesar das vantagens estruturais, como abundância de locais e de energia, o Brasil ainda está distante do protagonismo global em se tornar um player de destaque no cenário do processamento de dados. “Somos mais de 200 milhões de habitantes, com quase 400 milhões de dispositivos conectados, a 11ª maior economia do mundo. Deveríamos ter cerca de 11% da infraestrutura global de data centers. E temos menos de 2%”, afirmou Peigo.
Eficiência, latência e o novo desenho das redes
Ao aprofundar o debate sobre o futuro da infraestrutura digital no Brasil, Rafael Mezzasalma, country manager da Nokia Brasil, trouxe sua visão sobre a capacidade do País de acompanhar a nova dinâmica de tráfego impulsionada pela inteligência artificial, com volumes crescentes de dados trafegando entre data centers e exigindo níveis inéditos de eficiência e desempenho, tudo isso sob a perspectiva tecnológica e estrutural das redes.
“Para a gente responder essa pergunta, se o Brasil está no caminho de ter uma infraestrutura digital aceitável, eu acho que a gente tem que voltar um pouquinho atrás. E tivemos uma evolução tremenda em relação à conectividade e às pessoas terem acesso à estrutura digital”.
Segundo ele, esse avanço criou uma base importante, mas também elevou o nível de exigência. Neste ponto, Mezzasalma chamou atenção para um ponto recorrente no debate tecnológico: o foco nas aplicações, muitas vezes em detrimento da infraestrutura que as sustenta. “Quando a gente fala dessa parte de inteligência artificial, sempre falamos de algoritmos e de aplicações, mas muito pouco da infraestrutura que está por baixo disso”, disse.
Esse impacto prático da IA sobre as redes causa desafios de escala quando se analisa a dimensão do volume de tráfego atual. “Então, você imagina milhões de pessoas fazendo essa comunicação ao mesmo tempo. Isso requer confiabilidade na infraestrutura de conectividade e demandas massivas de crescimento de computação”. É essa nova dinâmica que, segundo o executivo, rompe com o padrão histórico de crescimento das redes. “A gente vê que esse tráfego de rede não está tendo mais um crescimento linear, ele está tendo um crescimento exponencial”, destacou.
Do ponto de vista da indústria, o country manager da Nokia fez questão de destacar o papel dos fornecedores de tecnologia na sustentação desse crescimento. Mezzasalma também destacou a amplitude da atuação da empresa no ecossistema digital brasileiro.
Mezzasalma também trouxe uma leitura geopolítica do momento atual, conectando infraestrutura digital a movimentos globais, o que pode abrir um campo de possibilidades para o Brasil.
Mas o tempo, conclui ele, é um fator crítico. “Eu acho que também a gente tem que estar acordado. O tempo é muito importante e a gente tem que acelerar isso. Acho que tem uma oportunidade tremenda para o Brasil realmente ser diferenciado, mas a gente tem algumas pedras para tirar no meio do caminho”.
Integração, confiabilidade e o custo invisível das redes complexas
Roberto Murakami, vice-presidente de Network e Telecom da NEC América Latina, que trouxe uma perspectiva centrada na operação e na integração das redes.
“O grande ponto de uma infraestrutura é a confiabilidade, é a disponibilidade. Tem que estar disponível, porque tempo, realmente, é dinheiro”, afirmou. Ele destacou o impacto direto de falhas, neste sentido.
Na visão de Murakami, um dos principais desafios atuais está na convivência entre tecnologias antigas e novas. “Por exemplo, se você tem muita arquitetura legada, muita rede legada, tecnologias antigas e tecnologia nova, mundo híbrido, essa rede híbrida é mais difícil de você fazer, de você automatizar”, afirmou, comparando com cenários ideais. “Uma rede que a gente chama de greenfield, uma rede nova, é muito mais simples de implementar”.
Já em ambientes existentes, o desafio é maior. “Eu sempre preciso fazer o upgrade disso, eu preciso atualizar aquilo, para você fazer a integração com as outras tecnologias que estão vindo, seja em termos de capacidade de transmissão, seja de roteamento ou de servidores”.
Essa evolução tecnológica, reforçou o executivo da NEC, é constante e exige adaptação contínua. Por isso mesmo, torna-se fundamental o papel do integrador neste cenário de planejamento da infraestrutura.
Expansão da infraestrutura e o redesenho da geografia digital no Brasil
A discussão sobre o futuro da infraestrutura digital no país ganha em breve um elemento concreto com o novo ciclo de investimentos anunciado pela Eletronet, que amplia não apenas a extensão da rede, mas também sua capacidade de suportar a próxima geração de aplicações intensivas em dados.
A companhia, principal operadora de uma extensa malha de fibra óptica instalada no topo de torres de transmissão de energia no Brasil, iniciou um projeto que deve expandir em cerca de 50% o alcance da sua rede, tendo a NEC e a Nokia como parceiras estratégicas.
Serão aproximadamente 8 mil quilômetros de novas rotas de fibras, levando a malha a um total de 26 mil quilômetros de extensão e presença em 23 estados, além da implantação de 85 novos edge data centers, totalizando 255 pontos estratégicos distribuídos pelo País.
Mais do que crescimento físico, o movimento, de acordo com Rogério Garchet, CEO da Eletronet, representa um salto em capacidade, qualidade e preparação para aplicações como inteligência artificial, internet das coisas e computação em nuvem.
“Nós estamos fazendo um investimento muito significativo na empresa, é um momento ímpar. A Eletronet tem 26 anos, mas eu sempre uso o nosso novo propósito, de que somos uma startup experiente”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia com o projeto de expansão vai além da simples expansão da malha. O executivo lembrou que a empresa já opera integrada a um ecossistema relevante. Um dos pilares do projeto, reforça Garchet, é levar infraestrutura para regiões menos atendidas, ampliando a capilaridade e aproximando o processamento do usuário final.
Core e edge: a estratégia da Scala para atender o cliente fim a fim
O CEO da Scala Data Centers, Marcos Vinícius Peigo, aprofundou a discussão ao explicar como a expansão da conectividade se integra à estratégia dos data centers.
“Quando desenhamos a companhia, pensamos nela como uma plataforma e decidimos fazer uma aposta grande no Brasil, que concentra quase 80% dos nossos investimentos”. Segundo ele, o país reúne condições únicas. “É um país de dimensões continentais, em que a gente enxerga o core e o edge, em que a gente enxerga os grandes campos de datacenters”.
Para o executivo, o futuro está na integração entre core e edge “O core é só um pedaço da história’’. O edge é que vai alimentar o core. “Não adianta eu ter um data center de 1 gigawatt em São Paulo se não tiver capilaridade. Sem capilaridade, não tem cidade inteligente, não tem carro autônomo, não tem telemedicina”.
É essa expansão que, segundo ele, cria um ciclo de desenvolvimento. “É quase um dilema: eu não tenho aplicação porque não tenho infraestrutura ou não tenho infraestrutura porque não tenho aplicação?”
A resposta, analisou Peigo, está na antecipação. “Quando você mostra para o mercado que a infraestrutura existe, você estimula o desenvolvimento de aplicações. Quando a gente olha para essa combinação de core e edge, com energia, neutralidade geopolítica, estabilidade geográfica, capilaridade e engenharia comprovada, o Brasil começa a se posicionar como um player global, se apresentando passo a passo nesse cenário”, afirmou.
Novo backbone óptico, eficiência e integração: a base tecnológica da próxima geração de redes
O papel do novo backbone óptico que está sendo implementado no Brasil representa um salto tecnológico que não se limita à expansão física, mas redefine padrões de eficiência, capacidade e integração da rede.
Rafael Mezzasalma, country manager da Nokia Brasil, destacou que o projeto conduzido em parceria com a Eletronet e com a NEC representa a adoção do que há de mais avançado em comunicação óptica no mundo. “São equipamentos que realmente trazem aquele conceito de maior volume de transmissão de dados possível pelo menor custo por bit, o menor tempo de latência e a menor energia por bit também”, afirmou.
Segundo ele, o avanço tecnológico atual está diretamente ligado à capacidade de extrair mais desempenho da infraestrutura existente. “Você tem a fibra e você passa o volume de transmissão de dados nessas fibras. E a gente está chegando ao limite físico da fibra de transmissão de dados”.
Esse avanço, ressaltou ele, está diretamente ligado às demandas das grandes empresas globais de tecnologia. Segundo ele, essas empresas já antecipam o crescimento exponencial do tráfego.
O resultado é a transformação da inovação em aplicações concretas. “A gente consegue trazer essa inovação para o produto. E é isso que a gente está aplicando hoje na rede da Eletronet”. E, além da capacidade, o novo backbone traz ganhos operacionais importantes, reforçou Mezzasalma.
Esse modelo está alinhado a uma visão mais ampla de ecossistema. “A gente acredita que as plataformas têm que ser abertas e todos os parceiros contribuem para isso”. Ele destacou a importância da colaboração no projeto. “A Eletronet com a infraestrutura crítica e capilaridade, a Nokia entra com a tecnologia óptica e a NEC vem apoiando na integração”.
Integração, governança e o desafio de transformar capacidade em valor
A complexidade do projeto exige não apenas tecnologia, mas integração eficiente, ponto que foi destacado por Roberto Murakami, head de Redes e Inteligência Artificial da NEC América Latina. “Essa integração é sofisticada. São dezenas de novos pontos de presença e milhares de quilômetros de rede. Você precisa ter uma governança técnica muito bem feita”, afirmou.
Segundo ele, o primeiro passo é garantir a operação plena. “Primeiro, a gente tem que estabelecer a rede e fazer ela funcionar de acordo com o que foi planejado. Mas isso não é suficiente – e sim “usar as funcionalidades dos equipamentos na sua totalidade. Explorar realmente as características técnicas que vão trazer vantagem competitiva”, de acordo com Murakami.
Esse dinamismo exige flexibilidade. Para garantir que o investimento gere valor ao longo do tempo, Murakami destacou a importância do ciclo completo do projeto.
Ao final, Murakami sintetizou o desafio central da infraestrutura moderna: responder rapidamente às demandas do mercado.
O futuro que coloca a infraestrutura sob pressão
O avanço da economia digital, impulsionado por inteligência artificial, 5G, internet das coisas e novas arquiteturas de processamento distribuído, coloca toda a infraestrutura sob uma pressão inédita. Com o tráfego global crescendo acima de 25% ao ano, a discussão deixa de ser apenas sobre expansão e passa a envolver limites estruturais, ritmo de investimentos e capacidade de antecipação.
Ao abordar esse cenário, o CEO da Eletronet, Rogério Garchet, destacou que a tendência não é de estabilidade, mas de aceleração. “A nossa visão é que a gente deve ter um salto muito acelerado de conectividade, e esse movimento não é impulsionado por um único fator, mas por uma convergência de tecnologias. “A gente está falando muito de IA, e ela tem um nível de consumo que envolve muita energia e muita conectividade. A gente tem o 5G, principalmente agora no Brasil, que está se instalando, já se fala em 6G, só para todo mundo já começar a se habituar com isso”.
Garchet também chamou atenção para uma tecnologia que ainda não atingiu seu potencial. “A gente está falando de IoT também, que a gente falava muito disso, esquecemos um pouco, mas a IoT nem começou a andar ainda.”
O impacto desse movimento tende a ser significativo. Apesar do potencial, Garchet voltou a destacar um entrave recorrente: o ambiente regulatório e burocrático brasileiro. “No Brasil você tem muitos desafios, como os desafios de cidades, desafios naturais, licenças para se operar. O Brasil, infelizmente, não avança muito na burocracia”, afirmou.
Ao comentar esse cenário, o CEO da Scala Data Centers, Marcos Vinícius Peigo, trouxe a perspectiva de quem opera grandes estruturas de infraestrutura digital, e para quem a interrupção simplesmente não é uma opção. “O problema desse ‘andar e parar’, no meu caso, é que o nosso é do tamanho de um trem. Não é fácil parar. Ele não para, e esse é o problema. O dinheiro foi, o dinheiro vai indo”, afirmou.
Ele explicou que o investimento em data centers exige continuidade. “Quando você começa, você não consegue interromper no meio do caminho. É uma estrutura de investimento contínuo”.
Peigo apresentou uma visão quantitativa do potencial brasileiro. “Hoje o Brasil está mais ou menos em 650 megawatts de mercado. Se a gente conseguir isolar as cargas locais, a gente pode chegar a 2, até 4 gigawatts”, afirmou. “Se a gente trouxer cargas internacionais, a gente pode chegar a 10 gigawatts”.
Esse crescimento depende de condições específicas. “Com o mínimo de competitividade e uma legislação de dados que permita a inviolabilidade do dado internacional, a gente consegue trazer esse processamento para cá. E aí estamos falando de um investimento de ecossistema completo: data center, conectividade, energia, computação e integração”, afirmou. “Esse é o tamanho da oportunidade que a gente tem na mão. E eu deixo aqui o convite para que a gente se una nessa discussão”.
Rafael Mezzasalma, da Nokia Brasil, destacou que um dos principais entraves do país está na estrutura de custos. “Você vai ter infraestrutura, mas a gente está trazendo equipamentos com muito mais imposto, com muito mais dificuldade”, afirmou. “Hoje, a taxa tributária do Brasil impede essa competitividade”.
Ele defendeu a necessidade de alinhamento com o cenário internacional. “É fundamental que o Brasil se equipare em custos a outras partes do mundo.”
Ao mesmo tempo, destacou o impacto positivo da infraestrutura sobre o desenvolvimento do País. “Quando você traz computação, inteligência artificial e aplicações, você está elevando a barra para os nossos estudantes. Você cria um mercado que antes eles não teriam acesso. Isso é geração de riqueza para o Brasil”.
Ele concluiu reforçando a necessidade de maior articulação entre os atores do setor. “A gente, como sociedade de infraestrutura, tem tentado se colocar. Talvez seja necessária uma coordenação um pouco mais próxima para adequar esses sistemas”, afirmou.“Antes de mais nada, a gente está aqui trabalhando pelas nossas empresas, mas a gente quer que o Brasil dê certo, que o Brasil cresça e que a gente gere oportunidades. Muitas vezes a gente tem que dar um respiro fundo e seguir em frente. E é isso que a gente faz”.
Encerrando o painel, Roberto Murakami, head de redes e inteligência artificial da NEC América Latina, trouxe uma visão histórica e ao mesmo tempo pragmática sobre o posicionamento do Brasil.
“Escutando o que o pessoal falou, o que eu vejo é que existem ondas e ondas. Talvez a gente tenha perdido a primeira onda, mas outras ondas virão”, afirmou.
Ele fez um paralelo com a evolução das telecomunicações. “Eu vi a evolução do telefone discado analógico até o que a gente tem hoje. E como isso evoluiu? Qual foi o papel da indústria nisso?”
Segundo ele, o país ainda tem oportunidades. “Não é porque a gente perdeu a primeira onda que não vai ter a segunda, a terceira. A gente vai estar cada vez mais preparado. Eu acho que o Brasil tem um DNA próprio para isso. O brasileiro é criativo. Não sei se ele aprendeu ou se adaptou, mas ele é criativo”, afirmou.
E deixou uma mensagem direta ao setor. “O que eu falo é: não perca a paixão. Continuemos lutando que um dia a coisa vai engrenar”.