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### Video Subtitles
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VUILD
Modelo de fundação com barra de base (soleira) metálica.
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VUILD
Modelo de junta entre pilar, viga, travessa metálica horizontal (girt) e caibro.
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Modelo de revestimento para área externa.
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Modelo de revestimento para área interna.
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Modelo de seção de parede.
htmlText_9FA7E913_84BB_D35F_41C0_8EC839A7F0B4.html = A Casa Japonesa: Milenar e Contemporânea
Há atualmente um amplo entendimento no campo da arquitetura quanto à relevância da construção industrializada, ou offsite construction, como importante forma de agregar valor aos projetos – que podem alcançar um maior número de usuários – e reduzir os desperdícios, princípios estes também alinhados com o conceito de construção enxuta ou lean construction. Entre os pilares da construção industrializada, por sua vez, encontra-se a coordenação modular.
A adoção de uma trama modular para o projeto do edifício não chega a ser uma novidade, caso se considere a modulação ancestral que se observa na casa tradicional japonesa. Tal como sugere Argan (1) em Projeto e destino, ao substituir o módulo-medida por um módulo-objeto – tomando-se aqui o tatami –, a casa tradicional japonesa pode ser vista como um exemplo milenar de arquitetura “industrializada”. Ainda que seus componentes sejam produzidos artesanalmente, na arquitetura tradicional japonesa o que se observa são componentes construtivos dimensionalmente compatíveis, que oferecem flexibilidade na criação de espaços.
Neste momento em que a Japan House traz a São Paulo a exposição sobre casas pré-fabricadas japonesas feitas em madeira industrializada, é essencial perceber que a arquitetura apresentada na casa contemporânea da VUILD representa uma valiosa oportunidade de se revisitar a Casa Japonesa, dando-lhe um novo sentido em tempos atuais. A arquitetura modular digital da VUILD, desenvolvida a partir de um software, nos convida a tomar parte no projeto de nossa própria casa, que depois será fabricada digitalmente.
Ao se falar em desafios contemporâneos, no entanto, mais do que buscar rapidez, eficiência e flexibilidade, é preciso considerar a sustentabilidade e a ecoeficiência dessa arquitetura industrializada, conceitos inter-relacionados, pois a ecoeficiência leva a uma prática que fomenta o desenvolvimento sustentável.
Projetar habitações nas quais a matéria-prima, natural e renovável, é a madeira industrializada, a exemplo da CLT (Cross-Laminated Timber ou Madeira Laminada Colada Cruzada) e da MLC (Glued Laminated Timber ou Madeira Laminada Colada), siglas que identificam essas tecnologias, equivale a uma alternativa objetiva e viável para a redução das emissões de carbono na atmosfera, com a consequente mitigação da crise ambiental que o mundo atravessa.
Cabe ressaltar, no entanto, que não existe um cenário único no qual o uso da madeira industrializada pode trazer benefícios, pois nem sempre as soluções empregando essa tecnologia são escaláveis, dependendo do contexto de cada país. Em países europeus como Suécia, Noruega e Dinamarca o uso amplo da madeira industrializada está vinculado a fatores culturais e econômicos, na medida em que há vastas florestas, tanto nativas quanto plantadas, em seus territórios, o que torna o material mais acessível e economicamente competitivo em comparação a outros, como concreto e aço.
Já em outros países da Europa e no Brasil, onde há uma longa trajetória no uso do concreto armado, inclusive em construções industrializadas pré-fabricadas, a madeira industrializada vem sendo introduzida em construções híbridas, que exploram a sinergia resultante da combinação desses dois materiais. Estima-se em quase 60% a redução na pegada de carbono em construções híbridas, devido à diminuição no consumo de concreto e aço. Os princípios da economia circular – redução, reutilização e reciclagem de materiais – também estão presentes nessa nova abordagem.
Frente à gravidade da emergência climática em nível planetário, o contexto para o uso da madeira industrializada está dado e a exposição da JHSP é o momento apropriado para se refletir. Os maiores desafios e atrativos que se colocam para a arquitetura industrializada em madeira industrializada dizem respeito à inovação, como indutora de desenvolvimento sustentável, e à visão de futuro que a construção civil será capaz de planejar para si.
Paulo Eduardo Fonseca de Campos
Professor Associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Fundador e coordenador do Fab Lab SP (2011), primeiro laboratório de fabricação digital do país vinculado à rede mundial FAB LAB.
____________________
(1) ARGAN, Giulio Carlo. Projeto e destino. São Paulo: Ática, 2000. (Coleção Temas, 71).
htmlText_14A31595_06B4_CEB9_4191_07364BC7C0D2.html = DAIWA HOUSE INDUSTRY CO., LTD.
Demonstração de isolamento térmico externo com ventilação
O clima do Japão, muito quente e úmido no verão e frio e majoritariamente seco no inverno, impacta enormemente as casas e seus habitantes. Para contribuir com o conforto das pessoas em suas residências, a DAIWA HOUSE INDUSTRY CO., LTD. – uma das maiores empresas de construção e desenvolvimento imobiliário do Japão especializada em construção modular e pré-fabricada – criou um sistema no qual as paredes têm isolamento térmico externo e camadas de ventilação.
Os métodos convencionais de isolamento térmico são feitos por preenchimento, ou seja, o material isolante é inserido na parte interna das paredes, entre os pilares, de modo que o calor e o frio são transmitidos para o ambiente interno através dos elementos estruturais. Já esta solução prevê um isolamento térmico que cobre todos os elementos estruturais, pela aplicação de isolante térmico também na parte externa dos pilares. Isso reduz a influência do ar externo, evitando a condensação dentro das paredes e garantindo assim uma maior eficiência energética e resistência, permitindo que a casa consiga reduzir os custos com os equipamentos de ar-condicionado e aquecedor.
O modelo aqui presente exibe uma parede externa convencional do lado direito e, do lado esquerdo, uma parede com isolamento térmico externo e camada de ventilação. Ao tocar, é possível compreender as diferenças de temperatura e perceber que o lado esquerdo está mais aquecido.
htmlText_92BA5883_84B4_313F_41D1_81F2F965F621.html = Exercício de decomposição
Foi a partir da observação e constatação de uma lógica construtiva eficiente e limpa no Japão, com maior controle de prazos e custos, somada ao atual panorama da construção civil na cidade de São Paulo, que decidimos fazer uma exposição com foco na construção modular pré-fabricada japonesa.
As realidades e os desafios dos dois países são distintos, mas as trocas são sempre benéficas para que seja possível incorporar as melhores práticas, que mais se adequam à nossa realidade.
Construções desse tipo têm componentes fabricados externamente ao canteiro de obras e enviados para montagem no local. Sua história é extremamente antiga: estudiosos afirmam que no século 17 já era possível observar tais criações.
O Japão é referência nessa área de atuação, com seu atestado foco em construções mais limpas, com menor desperdício de material e geração de menos lixo. O país apresenta uma produção extremamente sofisticada do ponto de vista de design e engenharia, com altíssima eficiência.
A decisão por mostrar aqui este modelo de casa partiu de uma série de fundamentos que nos guiaram para a criação, ao longo deste ano, do programa de exposições da Japan House São Paulo.
A sustentabilidade, tratada em nossa recente mostra de design, é um importante pilar que trabalhamos em diversos sentidos. No quesito recursos, por exemplo, considera o uso de madeira de florestas plantadas para reforçar a indústria local, diminuir impactos negativos que acompanham a importação de madeira, auxiliando na redução da emissão de carbono.
A ideia do trabalho colaborativo, da consciência sobre a importância de uma atuação coletiva, é outro desses fundamentos. Há, no Japão, uma forte noção de responsabilidade individual em prol de um bem coletivo, de uma sociedade melhor. Isso se nota inclusive em pequenos detalhes, como a ausência de lixo nas cidades japonesas ou o silêncio em seus transportes públicos, onde todos cuidam para não atrapalhar os outros.
A casa NESTING incorpora esses fundamentos ao utilizar madeira de origem local e ser entregue em partes cuidadosamente identificadas e de fácil encaixe, para que a casa seja construída com a participação de amigos e familiares dos futuros moradores.
Dissecamos essa casa e apresentamos também várias de suas partes, atestando o nível de precisão e técnica, uma verdadeira anatomia dessas construções.
Na área externa da JHSP, aproveitamos o tema para propor uma interação do público e permitir a vivência de certos aspectos característicos das casas tradicionais japonesas, trazendo assim outra abordagem. O uso do tatami no solo serve de unidade de medida para calcular a área dessas casas e gera uma percepção tátil bastante peculiar. Os tatami podem ser considerados, sob esse prisma, como precursores de uma lógica pré-fabricada, já que eram elementos prontos que, ao serem combinados, delimitavam o tamanho das residências.
Outro elemento importante das construções tradicionais é o uso de divisórias internas móveis – fusuma e shoji – que transformam os espaços conforme sua disposição, trazendo grande flexibilidade à forma de ocupação, pensamento que se mostra extremamente contemporâneo.
Sugiro a leitura dos textos complementares presentes na exposição para que a experiência da visita seja ainda mais completa. E espero que alguns dos modos de viver no Japão possam servir de inspiração para potencializar o exercício do viver em comunidade, incentivando iniciativas que estimulem cada vez mais a participação da sociedade na organização das cidades.
Natasha Barzaghi Geenen
Diretora Cultural da Japan House São Paulo e Curadora da exposição
htmlText_9E9B8B89_84FD_BAA7_41D6_0BF8B006FA58.html = Ficha técnica
Anatomia pré-fabricada: um morar no Japão
Curadoria
Natasha Barzaghi Geenen
Assistentes de curadoria
Carolina De Angelis
Thelma Nakae
Produção - espaço expositivo interno
Erika Litsumi Uehara
Karen Garcia
Produção - área externa
Juliana Cortes
Assistentes de produção
Leonardo Stephens Domingues
Natália Longhi
Projeto expográfico
+5581 Studio | Hayato Fujii
H2C Arquitetura | Helena Camargo, Teresa Vicini Lodi, Victor Algranti e João Serejo
Cenografia
Madeiras Yervant
Expositores e bancos
Bandeira Design
Corte das peças - instalação vitrine
Forest Fábrica Digital
Tatami
Saeki Ind. e Com. Ltda
Projeto estrutural - área externa
Timbau Estruturas | Alan Dias e Paulo Bastos
Consultoria sobre madeira
Gil Mello
Box Truss
José Aldo Dell’ore
Play Party
Pintura
Manos Cogrossi
Projeto luminotécnico
Iluminarte | Kris Natal e Karina Mendonça
Iluminação
Santa Luz
Iluminanação área externa
Maroli Montagem
Áudio e vídeo
Maroli Montagem
Coordenação de montagem
Art Level | Diego Marques
Coordenação de montagem área externa
Alan Dias
Paulo Bastos
Equipe de montagem
Daniela Guimarães
Carlos Roberto Bento
Rafael Calixto da Silva
Assessor de conteúdo
Yoshikuni Shirai
Produção da linha do tempo
Tatsuo Iso
Design
Thiago Minoru
Impressão de comunicação visual
F-THEO
Transporte internacional
Waiver Arts Logística
Transporte nacional
Alves Tegam
Tradução
Komorebi Translations
Matthew Rinaldi
Alcance Consultoria de Idiomas | Eduardo Lasota
Revisão de textos
Armando Olivetti
Equipe de bombeiros
JK Fire
Fotografia institucional
Marina Melchers
Vídeo institucional
Fuerza Films
Acessibilidade
Hiromi Saito
Felipe Lima
Vinicius Garcia
Consultoria em acessibilidade
Daina Leyton
Produção em acessibilidade
Beatriz Matuck
Libras
AHU - Acessibilidade Humanista Ltda
Audiodescrição
Entrelinhas Comunicação Acessível
Comunicação tátil e visual
Seal Acessibilidade
WebApp
Iguale
Colaboração
MAYEKAWA ASSOCIATES, ARCHITECTS & ENGINEERS, National Archives of Modern Architecture, Agency for Cultural Affairs, DAIWA HOUSE INDUSTRY CO., LTD., Sekisui House, Ltd., SEKISUI CHEMICAL CO., LTD., KISHO KUROKAWA architect & associates, GK Design Group Incorporated, MISAWA HOMES CO., LTD., Riken Yamamoto & Field Shop, SUS Corporation, YASUTAKA YOSHIMURA ARCHITECTS e VUILD, inc.
htmlText_98746C85_84BD_BEAE_41DB_5536F8C9399D.html = Para brincar com os espaços
Muitos elementos compõem uma casa tradicional japonesa, aquela que vemos em fotos, livros, filmes, desenhos, que faz parte do imaginário coletivo.
Alguns dos telhados têm beirais largos, que protegem da chuva e do sol deixando o ar circular. Suas estruturas e paredes de madeira são na maioria das vezes construídas sem pregos, usando técnicas de encaixe.
São um pouco elevadas do solo para ficar mais protegidas da umidade.
As portas-janelas, chamadas shoji, são feitas de papel e deixam bem próxima a relação entre as partes de dentro e de fora, permitindo a entrada de luz natural, mas difusa. Nas casas japonesas, a integração com a natureza é muito importante. Além disso, elas costumam ter engawa, corredores que parecem uma varanda e se conectam com uma área externa.
A área da casa é determinada pelo número de tatami no chão. “Para dormir, é preciso um tatami; para estar desperto, basta meio”, diz o ditado japonês, lembrando que não precisamos de muito, apenas do essencial.
Na parte de dentro, os cômodos são divididos por painéis corrediços feitos de madeira e papel, chamados de fusuma, que podem ser abertos ou fechados, mudando a configuração desses espaços conforme a ocupação ou o uso desejado.
A utilização de materiais naturais é importante para o aspecto tátil dessas casas. O tatami, por exemplo, feito de palha de arroz, traz um toque e um aroma bem específicos e dá à casa mais conforto térmico.
Fica o convite para brincar nesta nossa casa lúdica e interativa, que traz alguns desses elementos originais e outros inspirados nesses conceitos, para que sejam experimentados, manipulados, sentidos com seus cheiros e toques. Aproveite para transformar e redesenhar seus espaços internos movimentando os painéis corrediços.
Mas lembre-se de deixar os sapatos do lado de fora, seguindo o bom hábito japonês para cuidar do delicado tatami e também da higiene das casas. Assim, a nossa casa também fica limpa e pura, um lugar para o qual gostamos de voltar.
htmlText_9F726E30_849C_5DE6_41CE_6393FA8A2318.html = Sobre a VUILD
A VUILD é uma startup japonesa de arquitetura fundada em 2017 por Koki Akiyoshi (Osaka, 1988). Com base em três valores fundamentais — autonomia, descentralização e compartilhamento — a empresa busca promover indústrias locais em todo o arquipélago japonês, estimulando o trabalho com a madeira.
Segundo dados mais recentes do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão (MAFF), cerca de dois terços do território do arquipélago são cobertos por florestas. Grande parte dessas áreas é composta por florestas plantadas, resultado da política de reflorestamento realizada após a Segunda Guerra Mundial, que visava a reconstrução do país e a produção de madeira. Contudo, nas últimas décadas, o Japão passou a importar madeira mais barata de outros países, enfraquecendo a indústria local e levando à subutilização dessas florestas. Nesse cenário, a VUILD desenvolveu um sistema para fomentar a utilização de árvores maduras em regiões onde o abandono florestal - interrupção temporária ou permanente do uso de uma área natural que antes lidava com atividades como agricultura, pecuária ou manejo florestal e cujos efeitos ainda não são possíveis dimensionar - é uma realidade.
Com o objetivo de construir um sistema econômico regional sustentável, aproveitando recursos locais e colaborando diretamente com os membros das comunidades em projetos arquitetônicos, a empresa visa revitalizar setores locais e o meio ambiente, restaurando a capacidade produtiva dessas regiões. Para isso, desenvolveu um sistema que introduz máquinas de usinagem (fresadoras CNC, sigla para Controle Numérico Computadorizado) controladas por um sistema informatizado que permite o controle rigoroso dos movimentos das ferramentas de corte, possibilitando a produção de peças com formas complexas e alta precisão. Essas máquinas são conectadas em rede por meio de um sistema chamado EMARF, que fornece uma plataforma permitindo que qualquer pessoa crie casas, edifícios e móveis utilizando madeira local. Até o momento, esse maquinário já foi instalado em mais de 250 áreas.
Outra questão social premente no Japão é a escassez de artesãos qualificados. O número de carpinteiros no país caiu de 900 mil em 1980 para 300 mil em 2020, e 43% deles têm 65 anos ou mais. Essa grave lacuna de mão de obra especializada causou atrasos na construção e aumentou os custos associados ao setor.
Ao promover o uso de madeira de origem local, reduzir emissões de carbono durante a construção e empregar tecnologias de fabricação digital que possibilitam que até mesmo trabalhadores não especializados construam estruturas complexas com facilidade, a VUILD toca em duas grandes questões do Japão contemporâneo – a falta de mão de obra qualificada e o cuidado com o impacto ambiental – por meio de uma abordagem integrada.
htmlText_9E5FE5F5_849C_4E6E_41AC_9AE0C32BD809.html = Tatami: dimensão do espaço e de significado
Tatami é um tipo de revestimento de piso que se assemelha a tapetes. É composto por três partes. A camada do meio, chamada tatami-doko, é feita de materiais como palha seca. Ela é colocada entre duas camadas externas, tatami-omote, que são tecidas, entrelaçadas com uma planta semelhante à grama, conhecida como junco solto (Juncus effusus). Nas extremidades de cada tatami estão os tatami-beri, materiais usados para reforçar e proteger as bordas, indispensáveis para evitar o desgaste dos cantos e também para preencher os espaços entre os tapetes, garantindo um encaixe mais uniforme. Por ser produzido com materiais naturais, o tatami também contribui para o conforto térmico dos ambientes, sendo capaz de reter o calor e tem propriedades de absorção de umidade, controlando a do espaço onde está inserido.
O tamanho de um tatami pode variar entre as regiões do Japão, mas 180 × 90 cm é uma medida base aproximada que se estabeleceu nacionalmente, definindo uma proporção de 2:1 entre comprimento e largura. Por ser uma medida padronizada, o tatami funciona como unidade arquitetônica – acredita-se que entre os períodos Kamakura (1185-1333) e Muromachi (1336-1573) isso tenha se estabelecido, pois foi ao longo desses séculos que os tatami passaram a cobrir amplos espaços –, permitindo que cômodos sejam projetados e descritos pelo número de tatami que comportam. Por exemplo: Rokujō (六畳) é uma medida comum para salas de estar e quartos e indica a presença de 6 tatami. Já Yojōhan (四畳半) é uma medida comum para salas de cerimônia do chá e indica 4,5 tatami. Nesta exposição, as marcações retangulares que são vistas no piso, o formato e o posicionamento do mobiliário inspiram-se nessa modularização.
A organização dos tatami segue regras específicas, que refletem não só o aspecto funcional, mas também valores culturais e estéticos. As peças são dispostas de maneira a evitar que os cantos de quatro tatami se encontrem, formando uma encruzilhada, o que pode ser considerado um mau presságio em algumas situações. Sua disposição sempre cria um ritmo visual e um fluxo no espaço, influenciando o modo como as pessoas circulam e usam o ambiente: não à toa, muito da ergonomia japonesa, os mobiliários e elementos decorativos e contemplativos, são pensados para estarem posicionados na altura do olhar de uma pessoa sentada – ou em posição de seiza, forma tradicional japonesa de sentar-se no chão, na qual os joelhos ficam dobrados, as pernas para trás e as nádegas apoiadas sobre elas – em um tatami.
Além disso, o tatami se conecta diretamente com outros elementos característicos das casas tradicionais japonesas: por ser um tipo de revestimento para o chão, sua preservação e asseio se fazem necessários, e o genkan – área de entrada das casas, onde os sapatos são deixados – assume papel importante nesse contexto; já o fusuma e o shoji, tipos de portas corrediças leves que são feitas geralmente de madeira e papel, permitem que os espaços sejam divididos ou integrados, em consonância com a modularidade oferecida pelos tatami. Enquanto estes definem a área física e a medida dos cômodos, o fusuma e o shoji contribuem para a criação de ambientes multifuncionais, que podem se transformar conforme a necessidade do momento.
O tatami não é apenas um elemento arquitetônico, pois conecta aspectos essenciais da cultura japonesa, como a simplicidade, a pureza e a funcionalidade.
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Maquete Marebito no ie
Inspirada no estilo tradicional arquitetônico japonês gassho-zukuri — cujo nome significa "mãos em oração", caracterizado por telhados inclinados projetados para resistir à neve intensa das regiões montanhosas –, esta casa é construída com madeira do local onde foi implantada e as peças que a compõem são leves, produzidas por fabricação digital. Sua estrutura foi erguida sem pregos ou máquinas pesadas, utilizando técnicas de encaixe da carpintaria japonesa tradicional. Essa casa funciona como um protótipo para um novo sistema em que os produtores de madeira processam digitalmente a matéria-prima e entregam os produtos diretamente aos usuários finais, os proprietários da casa, evitando as cadeias convencionais do mercado, eliminando etapas e intermediários.
A escolha por esse estilo resgata a sabedoria construtiva das comunidades rurais que, historicamente, montavam suas próprias casas com os recursos disponíveis localmente. A Marebito no ie (Casa de Marebito) respeita a orientação das construções originais — paralela à cadeia de montanhas e aberta para o leste — aproveitando a ventilação natural e a luz do sol para garantir conforto térmico e integração com o entorno.
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Modelos de peças do projeto NESTING
Esta seção apresenta uma seleção de peças que compõem a estrutura de uma casa desenvolvida utilizando o serviço NESTING, como a que temos nesta exposição. Elaborados pela VUILD, esses modelos exibem partes das juntas estruturais, vigas, cortes que possibilitam a visualização das paredes externas e internas e um exemplo de chapa metálica utilizada no telhado.
Cada elemento dessa estrutura foi concebido como unidade leve que pode ser transportada por duas pessoas sem experiência prévia em construção, e os detalhes das junções foram projetados de forma a não exigir habilidades técnicas, implementando um método construtivo democrático, que possa ser executado por qualquer pessoa, em qualquer lugar.
O projeto também se vale de uma fundação simples com estacas cravadas em tubos, o que permite fácil instalação e dá a possibilidade de desmontagem e relocação, viabilizando um processo de construção de curto prazo e baixa emissão de carbono.
As paredes internas contam com revestimento de isolamento térmico, e os acabamentos podem ser personalizados de acordo com as preferências do cliente.
htmlText_9E5ABBCE_8494_5ABD_41D9_26914162F4E5.html = VUILD
NESTING
A série NESTING é um serviço de construção que permite aos clientes projetar e construir suas próprias estruturas utilizando fabricação digital. Ao desenvolver um método de montagem que possibilita a realização de todo o processo por não profissionais — desde a fundação até o acabamento —, o projeto pode ser concluído em pouco tempo pelos clientes e seus amigos, familiares e colaboradores.
Utilizando madeira de origem local e fabricação digital para criar kits fáceis de montar que utilizam sistemas de identificação de peças e encaixes, o projeto lida com a escassez de mão de obra qualificada e os altos custos dos materiais no Japão.
Aqui na exposição, o modelo de uma casa em tamanho real, desenvolvida por meio do NESTING, exibe um corte da construção. De um lado vemos a estrutura interna das paredes e do teto, do outro, os revestimentos e acabamentos disponíveis.
htmlText_9F2F414D_84FB_C7BE_41D4_7671F4BB9B0A.html = VUILD
Planta baixa e réplica dos elementos estruturais
Como complemento ao corte da casa construída utilizando o serviço NESTING, a exposição apresenta uma planta baixa aplicada em adesivo no chão, simulando a área total dessa mesma casa.
A planta mostra a divisão e a ocupação sugerida de cada espaço, permitindo ao público uma melhor compreensão das dimensões propostas nesse modelo de casa pré-fabricada japonesa.
Na vitrine, uma instalação exibe peças feitas em madeira compensada Paricá. Cortadas com o método de Router Digital em máquina de controle numérico (CNC), essas peças são modelos de componentes da estrutura da casa. É possível observar a organização dos encaixes e seus detalhes, como se a construção estivesse sendo dissecada, revelando sua anatomia.
htmlText_9D980FD4_8574_CED9_41B1_C38162646DCC.html = 1946
プレモス
PREMOS
Kunio Maekawa / San'in Kōgyō
A resposta do arquiteto Kunio Maekawa à escassez de moradias no pós-guerra
Em agosto de 1945 chegou ao fim a Guerra do Pacífico, simultânea à Segunda Guerra Mundial, mas, para além dos desafios vindos com a derrota, o Japão enfrentou uma severa escassez de moradias agravada pelo retorno de soldados e de pessoas repatriadas. Buscando contribuir para a solução desse desafio, o arquiteto Kunio Maekawa, discípulo do franco-suíço Le Corbusier, uniu-se ao engenheiro Kaoru Ono para desenvolver habitações produzidas em massa. O projeto tinha como base a montagem de painéis de madeira, processo que não demandava a presença de um carpinteiro. A elaboração dos painéis ficou a cargo da empresa San'in Kōgyō, que aplicou sua técnica desenvolvida na fabricação de aviões durante a Segunda Guerra Mundial. As casas com estruturas padronizadas começaram a ser disponibilizadas em 1946 e seguiram no mercado até 1951, aproximadamente, ganhando sucessivas melhorias ao longo dos anos. Cerca de mil casas foram construídas em todo o país, muitas das quais destinadas a alojamento dos funcionários de minas de carvão. Nenhum exemplar sobreviveu até os dias de hoje.
htmlText_98D38945_848B_F33B_41DC_3B42E9818321.html = 1959
Midget House
DAIWA HOUSE INDUSTRY
No contexto do baby boom, o grande sucesso das salas de estudo
Quando as crianças nascidas no primeiro baby boom do pós-guerra (1947-1949) cresceram, surgiu a necessidade da criação de um espaço de estudos nas casas japonesas. A Midget House atendeu a essa demanda com um cômodo ultracompacto, construído de forma independente no mesmo terreno da casa da família já existente. A estrutura com área de 9,72 m² (3,6 x 2,7 metros) contava com uma fundação de blocos de concreto e vigas de aço leve erguidas sobre eles. Os espaços entre as vigas eram preenchidos com painéis rígidos feitos em fibra de madeira, e o telhado contava com os mesmos painéis em versões reforçadas com chapas de aço galvanizado. O preço acessível e a comercialização em lojas de departamentos, que apresentavam uma amostra da casa para visualização, resultaram em um grande sucesso de vendas. Esse projeto da Daiwa House desempenhou papel fundamental na difusão posterior das habitações pré-fabricadas.
htmlText_9CFA576F_848C_DFC8_41C8_C1CF798F6FCC.html = 1960
セキスイハウスA型
Sekisui House Modelo A
Sekisui House
A primeira casa industrializada do Japão feita com aço leve
A Sekisui Chemical, que produzia tubos de PVC e baldes de plástico, ingressou no setor imobiliário como uma nova companhia: a Sekisui House. Seu primeiro empreendimento foi a moradia pré-fabricada conhecida como “Modelo A”. A estrutura dessa construção térrea era em aço leve, e no telhado painéis de alumínio refletiam a luz como em um espelho. Os caixilhos das portas de vidro eram de aço, e as empenas tinham beirais de plástico com contrafortes. O catálogo expunha também fotografias de móveis modernos no intuito de criar o imaginário de um estilo de vida do futuro. Cerca de 200 unidades deste modelo foram entregues, porém, em 1961, foi lançado o “Modelo B”, uma versão aprimorada e com referências estéticas mais próximas das moradias tradicionais japonesas. Já em 1962, o “Modelo C” foi desenvolvido como uma casa de veraneio. Este era feito de FRP (polímero reforçado com fibra) e é considerado o protótipo de muitas casas modulares que são produzidas até hoje.
htmlText_9C952C6B_849C_51C8_41CD_B938D55917A0.html = 1969
Capsule lodge “Hermit Crab”
Alojamento Cápsula “Hermit Crab” (caranguejo-eremita)
Nikko Kasei - GK Industrial Design Associates
A moda das cabanas de veraneio
Trata-se de uma pequena cabana para finais de semana. O método de construção em módulos, no qual as peças são previamente montadas em uma fábrica e depois transportadas e instaladas no local, mostrou-se ideal para esse tipo de habitação, dado que a sua construção poderia ser facilmente realizada tanto em regiões montanhosas quanto no litoral. Essa abordagem surgiu na Finlândia, com a famosa casa intitulada “Futuro House” em formato de OVNI, do arquiteto Matti Suuronen, mas no início da década de 1970 vários fabricantes no Japão também criaram projetos desse tipo. Um dos exemplos pioneiros foi desenvolvido pela empresa do setor químico Nikko Kasei, que se uniu à GK Industrial Design Associates, hoje chamada de GK Industrial Design Incorporated, liderada pelo designer industrial Kenji Ekuan. A cabana tem aproximadamente 16 m2, com estrutura principal de aço coberta por uma membrana externa de plástico. O preço no lançamento era de cerca de 2,5 milhões de ienes, valor acessível na época.
htmlText_9C4D04EE_8494_D2C8_41B3_CC68B1E4FB0A.html = 1970
セキスイハイムM1
Sekisui Heim M1
SEKISUI CHEMICAL / Katsuhiko Ono
Método de construção modular com produção fabril otimizada
A Sekisui Chemical, que havia criado a nova companhia Sekisui House, seguiu no setor de construção de moradias pré-fabricadas e, como resultado, lançou a Sekisui Heim 1. O projeto foi liderado por Katsuhiko Ono, que desenvolvia uma pesquisa sobre a industrialização da arquitetura no Laboratório Yoshichika Uchida da Universidade de Tóquio. Com dimensão de 2,4 x 5,6 x 2,7 metros, as unidades modulares em formato de caixa tinham estrutura de aço leve, telhas metálicas e painéis que compunham paredes, portas, janelas, assoalho e teto. Depois de previamente montada na fábrica, toda a estrutura era transportada em caminhão, para então ser posicionada sobre a fundação com um guindaste. Por fim, o projeto era concluído com a conexão de todas as partes pré-fabricadas. O método racional e econômico permitia que uma casa de dois andares fosse concluída em meio período de trabalho. Ao aumentar a taxa de produção da fábrica em 80%, o preço foi significativamente reduzido e essa casa se tornou um sucesso: em 5 anos desde o lançamento, foram vendidas 17 mil unidades da Sekisui Heim 1.
htmlText_9F35129A_849C_3148_4188_0CF1CF5B6A0A.html = 1972
中銀カプセルタワービル
Nakagin Capsule Tower
Kisho Kurokawa
O complexo de apartamentos-cápsula que surpreendeu o mundo
Projetado pelo arquiteto Kisho Kurokawa em 1972, no bairro de Ginza, em Tóquio, o Nakagin Capsule Tower foi o primeiro edifício do planeta feito com cápsulas habitáveis. As 140 cápsulas funcionavam como residências e poderiam ser removidas ou trocadas. Dispostas em duas torres centrais, as cápsulas tinham a dimensão de 2,7 metros de largura, 2,5 metros de altura e 4,2 metros de profundidade. Com aproximadamente 10 m2, eram equipadas com itens básicos, como cama, banheiro e espaços de armazenamento. Porém, apesar dos apelos pela preservação desse ícone arquitetônico, nenhuma das cápsulas foi substituída ao longo do tempo e, diante de sua deterioração, o edifício foi totalmente desmontado em 2022. No processo, 23 cápsulas foram removidas para serem preservadas e expostas em museus de arte e instituições culturais dentro e fora do Japão.
htmlText_9C9E06AC_8494_7148_41BB_1EC063CD0E6B.html = 1977
ミサワホームO型
Misawa Home Modelo O
MISAWA HOMES
O grande sucesso da “moradia planejada” pré-fabricada em madeira
A Misawa Homes, fabricante japonesa de casas que cresceu no mercado de moradias pré-fabricadas utilizando grandes painéis de madeira, enfrentou uma queda em suas vendas após a crise do petróleo de 1973. Foi nesse contexto de dificuldade que o “Modelo O” foi desenvolvido com o slogan “moradia planejada”. Embora a planta baixa e as especificações fossem limitadas, sem grandes liberdades para alterações, a frase de efeito e as imagens indicavam que isso não era um ponto negativo, pois o design estava à frente do seu tempo e a empresa era capaz de antecipar estilos de vida futuros. A estratégia também levou em consideração a estética que remetia às casas tradicionais japonesas e resultou em grande sucesso, com mais de 10 mil unidades vendidas, tornando-se um marco para o mercado de habitações pré-fabricadas.
htmlText_9C7F0989_8494_734B_41CC_3C7B86FA0AF3.html = 2004
エコムスハウス
Ecoms House
Riken Yamamoto - SUS
Tudo em alumínio: da estrutura ao design de interiores
Casa pré-fabricada projetada pelo vencedor da edição de 2024 do Prêmio Pritzker – conhecido como o Nobel da arquitetura –, Riken Yamamoto. Painéis treliçados quadrados com lados de 1,2 metro, formados por perfis de alumínio, são fabricados em escala industrial utilizando encaixes dispostos em forma de X. Conectando esses painéis, a estrutura é montada seguindo um padrão quadriculado. A construção poderia ter até três andares, com a possibilidade de se manter um grande vão de até 12 metros. Com tais características, esse modelo pré-fabricado conseguia atender a diversos propósitos, sendo utilizado até mesmo em escritórios e fábricas. A partir desse projeto inicial surgiu a Ecoms House: moradia pré-fabricada para produção em larga escala. A casa modelo construída na cidade de Tosi, na província de Saga, contava com móveis da SUS Corporation, marca japonesa especializada em peças de alumínio, material leve, durável e facilmente reciclável. Por isso, a casa também sugere a possibilidade de um sistema circular de fornecimento de moradias no futuro.
htmlText_9C672E29_8494_F148_41CF_6ABB2961D3D6.html = 2011
エクスコンテナ・プロジェクト
Ex-Container Project
Yasutaka Yoshimura
Propostas de habitação temporária após terremoto
Em 2011 aconteceu o Grande Terremoto do Leste do Japão. Seguido de tsunâmi, causou uma grande tragédia: foram mais de 22 mil vítimas fatais. Nesse contexto, o arquiteto Yasutaka Yoshimura, que já vinha trabalhando com a reutilização de contêineres na construção civil, lançou um projeto de fornecimento de moradias temporárias feitas a partir de contêineres para as pessoas que perderam suas casas nas áreas atingidas pelo desastre. A ideia consistia em proporcionar liberdade para combinar as unidades da sala de estar com as das áreas molhadas – cozinha e banheiro, por exemplo –, para criar residências térreas ou de dois andares. O projeto também considerava a possibilidade de se fazer a transição da versão temporária para uma permanente. Apesar de o projeto não ter sido viabilizado, o protótipo concluído na cidade de Ishinomaki, na província de Miyagi, foi utilizado como base de operações dos voluntários que atuaram na reconstrução da região.
htmlText_9DED3A2F_848C_7148_419F_AB513DEC3A5C.html = 2024
NESTING
Koki Akiyoshi
Pré-fabricados na Era da Informação
NESTING é uma iniciativa desenvolvida pela VUILD, empresa liderada pelo arquiteto Koki Akiyoshi. Essa plataforma permite que pessoas projetem e customizem suas casas a partir de um protótipo. Esse projeto gera um kit com as peças que irão compor a casa feitas em madeira de cedro processada e cortada com tecnologia de fabricação digital. Utilizando painéis para cobrir a parte interna e uma fundação em estacas feita com tubos de metal, cada peça é projetada para que até mesmo pessoas sem conhecimento técnico possam construir a própria casa, exemplo de autoconstrução residencial na qual o futuro proprietário pode montar a casa com ajuda de seus familiares e amigos. O peso de cada componente não ultrapassa os 10 quilos, de modo que a construção pode ser feita sem guindaste. Os painéis solares instalados no telhado também permitem a geração de eletricidade independente da rede.
htmlText_A582D5A7_84B4_4EEB_41D5_37F102127FED.html = VUILD
Modelo de terça (viga horizontal que dá suporte à cobertura do telhado).
htmlText_92CDF4A6_8575_D178_41D0_440B52F23612.html = O Japão é líder mundial em casas pré-fabricadas, e a sua trajetória nesse tipo de construção não tem paralelo em outros países. Segundo os dados de 2022 da Japan Prefabricated Construction Suppliers and Manufacturers Association (Associação de fornecedores e fabricantes de construções pré-fabricadas do Japão), há aproximadamente 125 mil casas construídas com esse método no país. Estima-se que o mercado de construções pré-fabricadas em geral do Japão tenha atingido a marca de 16,48 bilhões de dólares em 2024, e podemos afirmar que nenhum outro país tem uma indústria de casas pré-fabricadas tão bem-sucedida. Além disso, o país é um grande inovador do setor, com evoluções constantes em tecnologia de produção, eficiência das habitações e modularização, entre outros aspectos.
Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão estava devastado. No entanto, em apenas 10 anos a Agência de Planejamento Econômico japonesa declarou que o país já não estava mais na fase compreendida como “pós-guerra”, tamanha a sua velocidade de recuperação e capacidade de reconstrução. Desde meados dos anos 1950 e ao longo de toda a década de 1960, o Japão registrou uma surpreendente taxa de crescimento econômico real (aumento na produção de bens e serviços de um país, já descontada a inflação) de 10% ao ano, motivo pelo qual esse período da história ficou conhecido como “milagre econômico japonês”. Sendo assim, o Japão recuperou sua relevância junto à comunidade internacional e passou a figurar como um país desenvolvido. Enquanto isso, os cidadãos nipônicos ganharam mais autonomia econômica e, além de adotarem mudanças significativas no estilo de vida, muitos passaram a sonhar com a casa própria. E é nesse contexto e com o intuito de dar suporte ao rápido aumento de demanda por imóveis que a indústria das moradias pré-fabricadas ganhou espaço no país.
O florescimento desse tipo de construção foi estimulado por uma série de fatores. Em primeiro lugar, a escassez de moradias no pós-guerra agravada pelo baby boom – aumento significativo na taxa de natalidade – ocorrido entre 1947 e 1949. Ademais, o início da Guerra da Coreia, em 1950, envolvendo Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos e China, ampliou a demanda por bens e serviços japoneses de modo que a indústria de base, a principal do Japão na época, pôde ser revitalizada. Com o arrefecimento dos conflitos, esse ramo industrial ficou com capacidade ociosa e a atenção voltou-se para as possibilidades da construção civil. Em 1955, as empresas siderúrgicas que estavam no cerne dessa indústria se organizaram na Japan Lightweight Iron Construction Association (Associação de construções leves em ferro do Japão) e, com o tempo, iniciou-se a fabricação e a venda de moradias pré-fabricadas.
O Segundo Choque do Petróleo de 1979 – crise durante a Revolução Iraniana que resultou no aumento drástico dos preços do petróleo – deixou o Japão em recessão, marcando o fim do breve período de rápido crescimento econômico do país. Porém, em meados dos anos 1980 a economia japonesa já havia se recuperado e, até o início da década de 1990, o país viveu em uma bolha econômica. Durante esse período, os japoneses buscaram uma vida com mais luxo e riqueza, e, como resultado, as habitações pré-fabricadas ganharam estilos elegantes e únicos, afastando-se de uma estética associada à produção em massa. No entanto, com o estouro da bolha no começo dos anos 1990, a economia nipônica sofreu um grande revés – o período que ficaria conhecido como “os 30 anos perdidos” estava apenas começando. Assim, a partir de meados dos anos 1990, as moradias pré-fabricadas, símbolos da produção massificada e do consumo exacerbado, deixaram de ser objeto de desejo.
O ano de 2025 marca os 80 anos do final da Segunda Guerra Mundial. Considerando que a expectativa de vida média dos japoneses é de 81,09 anos para homens e 87,14 anos para mulheres (dados de 2023, segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão), pode-se afirmar que um ciclo importante da história está se encerrando. Hoje, a sociedade japonesa enfrenta os desafios de uma população envelhecida e de uma taxa de natalidade significativamente baixa, além de uma séria escassez de mão de obra e um número insuficiente de mestres artesãos. Ao mesmo tempo surgem novas demandas, como a necessidade de corrigir a disparidade de recursos humanos e informações entre áreas urbanas e rurais, lidar com a redução das emissões de CO2 e tomar medidas contra desastres naturais, como terremotos, tsunâmis e chuvas fortes, os quais estão se tornando cada vez mais frequentes e severos. Diante dessa realidade, surge o questionamento: como as moradias pré-fabricadas responderão a esses desafios crescentes de agora em diante?
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Button_4D1C404A_5A87_C3B6_41BC_63B811C40CD0.toolTip = Óculos VR
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IconButton_7A7C24B5_0E09_C347_419C_C33E54479651_mobile.toolTip = 日本語
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## Tour
### Description
### Title
tour.name = Anatomia Pré-Fabricada | um morar no Japão